Manchete

Sabe da boa
Sabe da nova
Agora eu descobri
Porque todo amor que sentias
Não quisestes dedicar a mim
Guardo a resposta
Na palma da minha mão
Mas nunca irei te dizer
Mas quero que saibas
Que você matou um grande amor meu
Amor que eras somente seu
Mas com esse amor morto
Irei sepultá-lo
A culpa foi sua
Meu sonho agora morreu
Você sepultou algo
Que sempre foi seu
Irei escrever uma machete
Explicando o finado amor meu!!!
“Eis hoje sepultamento de um amor que nunca viveu..”

LEVANTA-TE

Minha história breve, minha história séria.
Estão caindo às letras, e estamos pisoteando seus frascos.
Quisera eu poder tornar-me rei,
Mas perdi os domínios, os mansos, e tornei-me um vilão sem lei.

Se Freud sempre explicou, ele nunca quis dizer!
Onde está o controle desse homenzinho,
que dentro de outro homem brinca de ser feliz?
As veias se abriram para que o sangue pudesse correr,
E correndo ele pode ganhar o mundo.

Quando todos apostavam numa parada,
apenas se estabeleceu a estrada da qual a morte me livrou.
A plena virtude dos mortos,
é que não encontrarão outra vez o fim de suas vidas.

A morte está batendo, mas eu já saí,
e quando eu chegar ela já terá ido embora.
Não sei para quando o encontro está marcado.Nem precisaria disso.
Viver é estampar cada dia uma alegria num peito cansado.

Talvez até respirar seja ruim, a hiperestesia me contorna o espírito
e faz saltar os nervos adormecidos.
O ar me falta, e me deparo com a busca incessante
por um desejo de encher os pulmões outra vez.
Mas não quero oxigênio!
Basta-me uma busca para a plenitude da alma.
Que devaneio infantil!
Rimas perdidas, canções vencidas, na forma de amor juvenil.
E se tudo fosse perdido, e se a boca fosse escondida,
talvez me fizesse um favor.
Não busquei encontrar,
apenas achei o que será impossível esquecer
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PALPITA MISTÉRIO II

Amada amante, dançarina de um país distante,
Abstração incontável, doce lamúria musical indecifrável.
Como quisera eu te descobrir, como quisera te envolver.
Dentre as lágrimas vertidas pelo choque do teu olhar,
Acertas cada vez mais a morte, aquele que ousa te amar.

Morena serena de cabelos compridos e pele suave.
Serena, salina, veredas.
Quem se fizer louco buscará tê-la,
Quem se fizer lúcido tentará detê-la
Até agora não sei o que o busquei, o que encontrei ou o que espero.

Escárnio ímpio! Oferecida fostes a Jacó e aceita por Esaú
Como um prato de guisado dado a um mendigo faminto,
Uma trama de sabores fortes que pelo mais alto direito foi vendida.
Jacó se escreve com o tempo, se forma como o vento,
Avança diante da inquietude ébria da alma suplicante.

Esaú é pobre vítima que se faz faminta de amor,
Preso nas armaduras que cada toque do olhar mostrou.
Jacó andou solitário, vestido e despido num itinerário,
Que sua consciência em vão julgou.
Jacó e Esaú, Esaú e Jacó, Jacó e Esaú.

Mais uma noite sem fechar os olhos
Buscando lembranças que revivam os dias áureos
Onde cada passar das horas era acompanhado da pura emoção.
Se fosse a noite inteira, se fosse toda a tarde,
Eras linda, eras sol, eras chuva! Incontrolável furacão.

Na estrada próxima ou nos mares distantes onde sempre há um porto seguro
Tuas mãos macias, teu olhar constante, se chocam em meus instintos,
Que há muito desliguei do tempo.
Cativam minhas dores presas num labirinto que não está no ouvido,
E elas procuram Teseu piedoso para que as possa libertar.

Por que não és Desdêmona de Otelo?
Assim o príncipe mouro poderia te matar e eliminar todo o resquício do teu sabor.
Que ficou preso em meu corpo, dourado em meus lábios
e como uma lembrança que não quer se perder, agarra-se todos os dias
e firme como uma âncora no fundo do mar hesita em me deixar em paz.

O riso se tornou pranto,
O abismo se tornou canto,
A bela se tornou fera,
O presente se tornou espera,
O cisne se tornou branco,

Tornou-se o beijo ósculo santo, e cada manhã que era uma nuvem de sorrisos,
Agora é uma manhã de acenos e improvisos.
Cada som, uma lágrima, cada cheiro um torpor,
Cada beijo uma lembrança perdida buscada pela mão acusadora,
E das entranhas cintilantes da alma renascida se ouve o último suspiro de dor.
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PALPITA MISTÉRIO I

Acho que sou Jacó deitado em seu próprio leito de amor.
Irmandade precoce, sentimento tardio,
Penso que gosto de você, mas o que realmente sinto não sei dizer.
É estranho pensar assim, é estranho que tudo esteja tão perto de mim!

Eu vi você, mas me perdi, e o seu reflexo nítido eu também pude ver.
Só não percebi que ele me tomava desmedido,
como um sedento que encontra seu oásis após dias de caminhada.

Como poderia eu saciado ainda sentir fome?
Acho que fui enganado mais uma vez!
Sou escravo do meu peito, prisioneiro do meu coração!

As promessas ficaram perdidas no meio de um vendaval de perguntas,
Que eu não soube responder.
Escorreguei meus dedos pelos seus cabelos
enquanto perguntava-lhe: “Se eu fosse embora amanhã você se lembraria de mim?”

E entre histórias que ecoam pelas guitarras em belos solos,
pude perceber como era gracioso também seu sorriso,
Você é carente como eu!Você me entende e é o que eu sei.
Na verdade, é o que importa.

Cada vez a conheço mais, Cada vez mais quero conhecê-la,
Desvendar seus mistérios é tudo o que eu poderia fazer.
E talvez eu até revele os meus, e consiga me mostrar por inteiro.
Oculto nessa imagem que represento, palpita o que verdadeiramente sou!
Eu só queria um amor, um amor calmo e sereno.

Luto com Esaú, sei que ele me perseguirá,
Mas como negar o gosto que tomei pela guerra?
A luta está sendo travada, e o único que tomba é esse que escreve.

Fui ferido, fui alvejado,
Estou em perigo, estou quebrantado,
E quando chegar o dia, cada passo parecerá uma lâmina,
mas também será o rumo do desconhecido, o rumo de seus beijos
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MIRA

Aqueça-me o coração fadigado,
Encontre-me, e busque um meio de me fazer feliz.
Tenho estado tão descontente!
Tenho feito tantas perguntas!
Como posso cruzar o mar se não sei nadar?
Busque-me e encontrarás o conforto para sua carência.
Poderá ser num colo, carinho ou abraço que não pude outrora lhe dar.
Quem criou o frio, criou também o calor, é por isso que persistimos.
Não sei por quanto tempo isso vai continuar.
Não importa quanto tempo dure;
Apenas que ele pareça uma eternidade desconhecida demais para desperdiçar
Abrace-me o mundo e tudo o que nele há,
E estou certo de que há de ser melhor assim.
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NOBRE SERVO

Quando tudo passa, eu vou me sentar,
Elevar meus pensamentos a um céu,sem nuvens,
mas onde o sol há muito deixou de brilhar.

Admiro e vejo tudo o que fui: Menino, adolescente e homem.
Mas esse tudo não parece ser completo,
E eu pareço não obedecer à ordem, se é que existe alguma.

Não sei por quanto tempo ainda estarei aqui,
E não sei quais lembranças deixarei.
Se ao menos estivesse certo sobre a eternidade de meu nome!

Posso virar poeira carregada pelo vento ou uma pedra de gelo derretida pelo sol.
Sou caminhante solitário nessas ruas sem destino,
Sou homem atento com olhar profundo de menino,

Tento me encontrar e me perco outra vez,
E ao passo dessa brincadeira insana foi que meu futuro se fez.
Ainda que tentasse algo novo, não sei se teria pernas para galgar.
Perdi minha montaria no início do livro,
E continuei por todas as páginas como um escudeiro sem lar,
Com riquezas de espírito, mas sem nome para ser reconhecido.

Mas as páginas finais são apenas para cavaleiros,
E tive de parar minha façanha, minha luta pela vida onde se ama.
Então fui investido, sou um vassalo leal,
Porém estou distante de meus suseranos e eles nada podem me dar.

Agora corro louco e desenfreado pelas encostas tépidas de um rio alado,
Que despeja sobre mim suas gotas nobres.
E ao sentir minha roupa úmida, percebo também que estou cansado.
Cansado de correr na direção contrária e sempre chegar à sensação de onde saí.

Se há vitória eu não sei!
Sei que há somente um fadigado guerreiro sentado na campina,
sem sua armadura, sem sua espada, sem a bravura, que há muito foi abandonada.
E na boca um amargo sabor do que um dia foi doce mel
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