Nós dois…

NÓS DOIS…
Sou eu, de mim mesmo,
Você, de si mesma,
E vivemos a vida,
Cada qual, a sua…
Mas, posso viver
A sua vida, se quero,
E você, idem, a minha,
E eu posso ser você,
E você pode ser eu…
E assim deixamos
De ser de si mesmos,
Pois posso te pertencer,
E você, pertencer a mim…
Dois corpos num só corpo,
Duas almas numa só alma,
Assim seremos, pois,
No após de casarmos…

( Jose de Paula )

Sociedade Padrão

Desesperamos por aceitação
Numa sociedade, toda ela, coincidente,
Em que o custo da integração,
É estar preso a algo inexistente
Talvez de uma forma estética…
Ou até mesmo de mentalidade
E o preço de não seres uma pessoa cética
É pago com a tua infelicidade

Levamos uma vida que não desejamos
Por ser o que a sociedade tem em vista
Mas nem sempre aquilo com que acabamos
É sinal de uma grande conquista.

E durante aqueles últimos suspiros,
Reparas que viver “feliz” naquele clima
Foi a principal origem do vírus
Que virou o nó da gravata para cima.

(Salvador de Lótus)

O amor em Roma

O amor chegou Roma,
Se instalou, em soma,
Os romanos ficaram
Meio assim que, pasmos,
Não conheciam o amor,
Somente ira e ódio, Ohh,
E se encarou os romanos
E se disse, avante, vamos,
E se pensou matar o amor,
O seu corpo se tirou
Mas sua alma não,
Essa, para o céu voou,
E, de lá, diz vai voltar
Para seus amados, Ahh,
Com ele reunir-se-ão
No pós-morte, em ressurreição…

(Jose de Paula)

A dor da saudade

Sabe de uma coisa,
A dor da saudade,
Ela dói mais que
Uma pontada de faca,
Ela corrói por dentro
Do peito, o coração,
O faz de bobo,
E, assim se fica…
Essa dor malvada
Trucida e dilacera,
Descoordena ideias,
De si mesmo se desconecta…
E se diz consigo,
Mesmo renegado,
Em detestação vil,
Se deve continuar
A se ter respeito
Por quem causa essa dor,
A dor trucidante
Da saudade sentida?

(Jose de Paula)

Amigo

AMIGO
Amigo diz a verdade,
Mostra a realidade,
Não discute nem bronqueia,
Não faz cara feia,
Se acuado, se cala,
Ao lhe dito pondera,
Não é de sua índole
Partir para agressão
Em palavras chulas,
Fica sempre na sua,
Na defensiva, a ataca
Se caso pode ser útil,
Diferente disso não age,
E, procurado, está pronto,
Apto para mais um round
À enfrentar na arena
Com o amigo seu que
Não o entende,
Mostra de que se aprenda
A se ser manso e humilde…

(Jose de Paula)

Das minhas as suas

Faça das minhas palavras as suas, afinal soam belas e retas, enfim
So não faca das minhas baladas as suas, por que linhas tortas soam más e não tem fim

Faço de uma caneta uma minha arma, de um papel meu inimigo e palavras são balas que mancham de um sangue azul cada fresta desta arena chamada vida
Faço dos seus problemas minha calma, do seus medos meu amigo e as palavras são gritos, gritos que ecoam de um tom cinza cada festa desta solidão chamada morte

Cada texto que te entrego, deixa de ser meu e passa a ser nosso
Com o pretexto que emprego, alma se empossa e vejo que posso

Cada farpa que se solta de você e me atingi , me afingi e me acrescenta
Cada harpa que é tocada com um alforge me , me acolhe e me alimenta

Cada uma dessas palavras por mais que complexas, sao intensas e escolhidas a dedo
Cada uma dessas baladas por mais que desleixas, são ardentas e escondida a medos..

Faca das minhas , suas palavras…

 

( Jefferson Sousa da Silva )

Morfologia do tédio

Na vagareza,
O leão não alcança a presa,
Mas vê o rio passar,
E usa a lentidão para se resguardar.

Foge do seu ser,
Do veneno interior.
Assim, não sente prazer
Mas também não sente dor.

Contempla a outra vida,
Mas é correto ser auto infligida?
Se esta que temos nos foi oferecida.

Fugimos de nós,
Observando o rio,
Sem nunca alcançar a sua foz.

(Marco Estrela)