Tempestade em mente humana

Toda tristeza do mundo parece se centralizar no meu peito,
Pesa uma nuvem carregada de chuva,
As vezes derrama garoa, as vezes derrama um torrencial.
É tempestade em copo d’água, em mente humana,
As vezes montanha russa, as vezes carrossel.
Fragmentado em mil pedaços,
Cada qual perdido em si,
É labirinto sem saída, a tristeza não vai sair.
Faz de mim sua moradia,
Tenta me assassinar com as minhas próprias mãos,
Suicídio bate em minha porta, e com dor eu digo “não”.
Ser forte todo dia cansa,
As nuvens derramam, é lama total,
Se eu ainda fosse criança brincaria no quintal.
O tempo é vilão e também o mocinho,
Gera confusão, se erra o caminho,
Mas ainda estou aqui,
Refém dos pensamentos, sem saber o que seguir,
Não vou a lugar nenhum,
Só em todos os lugares que minha mente pode ir.

(Deivi Costa)

Belas Memórias

Tu partiste e eu fiquei,
nesta escuridão sem coração.
Tu partiste e eu tentei,
ficar bem mas não dá sem a tua mão.

Foste sem uma explicação,
e eu nunca soube das histórias.
Hoje em dia o que me resta,
são as tuas e as nossas belas memórias.

Tu partiste e eu fui contigo,
metade de mim também morreu.
Perdi um grande ombro amigo,
só sou agora quem sobreviveu.

(Eunnice N.)

Porquê

Porquê
Porque me obrigas-te a sorrir
quando me querias ver a cair
de um penhasco gelado
com pregos na superfície

Porque me obrigas-te a caminhar
sobre as nuvens brancas
se me querias ver a desabar
como um monte de neve no verão

Porque me obrigas-te a ver
o céu, as estrelas, o universo
quando me querias cegar
com um raio a cintilar

Porque me obrigas-te a viver
porque obrigas-te o meu coração a bater
quando me querias ver congelada
com um olhar fixo para a beira da estrada

(Bárbara Valpaços)

Finada revolta

Na morte lenta
Anjos e demônios
O observam estáticos a situação
Enquanto cada segundo custa a passar

Rodeado de seres celestiais
Caídos e de luz
Não se importam
A decadência é sua

Viva ou morra
Indiferente
Eis tua indiferença para com tudo
Vazio lotado de nada

Sangre ou chore em teu túmulo
Exclame ou ore
Essa é tua cruz
Ande sobre tuas águas

Dessa treva não surgirá luz
E em menos de sete dias
Tudo se foi
Estará só como antes

Nem mesmo os 12 haverão
E a traição nunca existiu
Por ninguém sofreu
Homem que viveu como um deus homem.

Nem dor
Nem Ele
Nada é como é
A vida é pior do que sonhas

O vazio ainda existe
Choro surge
A dor persiste
E a esperança não acaba

Esperanca o pior dos sentimentos
Alega ter fim
Mas não tem
A e tudo continua igual

Fé não nos mantém
Não nos repara
A natureza do homem
Peste mundana

Que em suas mentiras a sustenta
No ego enganado
Suprido por ilusões inexistentes
Criado por mentes insanas

A realidade não existe
Em sua verdadeira forma
É tudo visto de uma ilusão criada há muito tempo
Fatigado de tudo isso

Anjos e demônios
Filhos de um mesmo pai
Que permite que seus
Morram, sofram e matem

A dor é plena
E a vida nada vale
Tudo é o caos
Vivido em carne

A dor é plena
A felicidade é uma sombra
Que no primeiro raio de lucidez
Se desfaz instantaneamente

Na noite estou
Em trevas percorro um caminho desconhecido
A procura do adeus
Que me abandonaste

Entre anjos e demônios
Seres que assistem mais um
Que procura a partida
Para o fim

A força é grande
Mas se esgotou lentamente
Assim como a dor era pouca
Hoje por inteiro me consome

Suspiro, grito
Silenciosamente por ti
Abandonaste novamente
Como sempre fez aos teus.

Corvo

Desilusão

Deixei que você me ferisse,
Dei todos os perdões possíveis,
Só pra não te perder.
Permiti que esvaziasse minha vida,
E sem que eu pudesse recusar;
Você me deu essa tristeza.
Hoje, talvez não resolva nada,
Eu falar das coisas que fiz pra você,
Dos momentos que senti medo de perder,
Das alegrias que tive, em lhe ter aqui comigo
Talvez, nada disso traga a minha felicidade de volta,
E muito mais do que você,
Eu,
Agora, nem quero mais lembrar de tudo,
Pois lembrar, é sofrer,
Lembrar de nós dois, é morrer aos poucos
Trazer esse passado de volta seria revivê-lo
E assim, enlouquecer novamente…
Me decepcionei com você,
Um você que para mim, era perfeito,
E um dia acordei,
E esse você, já não estava mais ali,
Já não mais me fazia companhia,
E eu já não conseguia mais me fazer sorrir.
A minha vida se transformou numa espera,
A espera de algo que desconheço,
Apenas sinto que a qualquer momento
Acontecerá alguma coisa e fará mudar tudo,
Ou alguém chegará,
E me fará esquecer tudo isso,
Todo passado,
Tudo o que se refere a você…

Eliezer Lemos

A dor da solidão

Ouço barulho de chuva, mas não chove,
a manhã surge impenetrável,
uma pequena luz escorre como uma solitária lagrima,
uma luz grisalha, lívida e impenetrável.

A dor da solidão é como um pássaro solitário,
abandonado ao ermo,
uma expressão do silêncio,
com um olhar vago sem nada ver.
Está pousado num pequeno penhasco junto ao mar,
as águas sobem às vezes até a sua solidão,
molham-lhe as penas que parecem revoltadas com a sua impassível mudez.

Não há nada que o assuste ou inquiete;
fica parado diante das ondas que a cada instante crescem,
mesmo assim mal agitam suas asas…
Ou quem as agitas e apenas os ventos que correm ao redor.

A dor da saudade é como um náufrago numa pequena ilha;
imerso numa solidão eterna,
maltrapilho, sedento e faminto;
perdeu sua memória e esperança,
apenas vive a cada dia enquanto não chega o seu fim.

A dor da saudade tritura um coração aos pouco,
devagar doendo sempre.

O cérebro vira um simples miolo disforme,
deixando o ser insano;
seus pensamentos vagos, sem caminho ou direção.

Uma grande solidão no meio de uma multidão.

Há está dor da saudade!

Quem ama sabe e a conhece;
pois quem verdadeiramente ama sofreu e sofrerá a dor da saudade,
e a nunca esquece.

Eliezer Lemos