Oceano Vermelho

O mundo está morrendo
Por tua culpa
Você está o matando
Por algum motivo está delirando
Esta é a verdade nua e crua
Toneladas de lixo jogados na rua
O tempo está correndo
Os oceanos estão morrendo

Teu sangue não purifica a água
Só é perdido nas areias da praia
Esforços jogados em água salgada

Nós pedimos perdão
Começar a dessalinização
Ou cairemos secos sob o chão

(Arthur Z.)

O GIRASSOL

O GIRASSOL
Noraldino Garbini
Conheço um pobre girassol tão carente de carinho
Que cresceu em uma frincha estreita tão apertada
Ao lado de um poste em uma praça movimentada
Vivendo oprimido sufocado por um ígneo cadinho.

Todas às vezes quando por ele andando eu passava
Fazia um afago em suas folhas ainda muito novas
E em pensamentos lamentava pela sua triste prova
E desejando boa sorte em pensamentos o inspirava.

O tempo foi passando e foste ganhando mais altura
Às vezes com folhas murchas às vezes bem viçosas
Mas, a via pública sempre foi uma região perigosa.
É por onde circulam as boas e as maldosas criaturas.

Quando avistava com pesar folha jogada pelo chão
No decorrer dos dias notava o seu triste sofrimento
Ao alcance das mãos de pessoas sem o sentimento
Sem a presença sublime do amor em seu coração.

Sua beleza foi mutilada decepada antes de crescer
Eu sentia a sua grande dor a sua grande frustração
Em presenciar as suas flores espalhadas pelo chão
Lamentava sinceramente por não poder te proteger.

A não ser fazer afagos em seus ramos agonizantes
Vendo a sua essência murchar curvando-se pela dor
Por não poder dar as abelhas o mel da sua linda flor
Mas, deste-me uma lição na vida de ser perseverante.

FOI O MAR

Foi o mar
Que mandou me avisar,
Foi o mar.
Foi o mar
Que mandou me avisar.
Ele molhou os meus pés,
Querendo me alertar.
Ele molhou os meus pés,
Querendo me alertar.

Sua maré está braba
E não tá pra brincadeira, não.
Pois água não tem cabelo,
Se ligue, não dê bobeira, não.

Se não sabes nadar,
Fique então na areia,
Construindo teus castelos
E de olho nas sereias.

Foi o mar
Que mandou me avisar,
Foi o mar.
Foi o mar
Que mandou me avisar.
Ele molhou os meus pés,
Querendo me alertar.
Ele molhou os meus pés,
Querendo me alertar.

Já pedi para mãe d’água,
Para a rainha do mar
Que ela me dê proteção,
Me abençoe, oh, Iemanjá.

Iemanjá que olha com bons olhos
Para todo pecador,
Que atende os pedidos
Dos seus filhos com amor.

*Edmundo de Souza = Oberlan Du Cavaco

O Rio e o Oceano…

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.

Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso através das florestas,
através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nada mais é
do que desaparecer para sempre.

Mas… Não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar.

Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente.

O rio precisa arriscar-se e entrar no oceano. E somente quando ele entra no
oceano é que o medo desaparece.

Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano,
mas sim tornar-se oceano.

Por um lado é um desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos todos nós, voltar é impossível na existência.

Você pode ir em frente e arriscar-se:
Coragem! Torne-se OCEANO!

Eliezer Lemos

CANÇÃO À NATUREZA

Os animais, as árvores
Querem sobreviver.
Vamos cooperar
Para isso acontecer.

Parem as queimadas,
Não destrua a mata.
A caça predatória,
Parem com essa estória,
Deixem os bichos
Viverem em paz,
Pra que nossas crianças
Possam vê-los, meu rapaz!

Não polua o ar,
Não polua o mar,
Os rios, as florestas…
Vamos nos empenhar
Em não destruir,
Tudo o que levou
Milhares de anos
Pra chegar onde chegou.

Assim como a gente
A natureza tem
Os mesmos direitos
De viverem bem!

vento desordeiro

Hoje o vento está nervoso e mal intencionado
Agitando o arvoredo com sua poderosa lufada
Batendo portas e janelas como um mal educado
Levantando pelas ruas o vestido da mulherada.

Vai encravando os ciscos nos olhos das pessoas
Enchendo de poeira as roupas estendidas no varal
Com o seu assovio prolongado pelo espaço ressoa
Anunciando os presságios de um grande temporal.

A vegetação se curva com o seu sopro poderoso
Espalhando pelo espaço os ninhos e seus filhotes
Prossegue o vento bufando como mostro perigoso
Provocando por onde passa a destruição e a morte.

Varrendo com a sua fúria as poeiras das estradas
Arremessando pelas alturas os restos dos telhados
Destruindo os jardins e as suas flores perfumadas
Com a força assustadora de um poderoso tornado.

Milhões de demônios desordeiros e enfurecidos
Fazendo as suas estripulias por onde eles passam
Deixando o azul do céu no horizonte escurecido
E em todas as barreias extrapolam e ultrapassam.

Açoitando sem piedade os encantos da natureza
Arrastando tudo que é encontrado pela sua frente
Devastando destruindo com selvagem malvadeza
A ventania segue furiosa impetuosa e inclemente.

Espalhando nuvens gerando no ar a tempestade
Arremessando o seu granizo cortante das alturas
Juntamente com suas chibatadas de eletricidade
E no estrondo dos trovões abalando as estruturas.

O vento que era brando e que afagava docemente
Ninguém sabe o motivo do seu mau comportamento
Mas são determinações de uma soberana lei regente
Que governa e predomina sobre todos os elementos.