O poder do ódio

Com ódio, entes devoram-se,
na busca de algo que escape às ambições mesquinhas:
Vão, afinal, chegar ao fim, que ofusca,
como almas desiguais, sempre sozinhas.

Serão, no mundo, ervas sem cor, daninhas,
raio de raiva humana, que corusca,
espada de aço em asas de andorinhas,
triste visão de tarde em queda brusca.

Passarão consumidas pelas farpas
de suas próprias ásperas palavras,
de ouvidos surdos ao soar das harpas.

Nasceram ambas para esses debates,
garimpeiras de amor em negras lavras,
sempre a viver em guerras e combates.

(Eliezer Lemos)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *