ADEUS POETA

Adeus poeta!
Seu sangue corre pelas valas do senso comum;
Adeus poeta!
Você deixou seu tempo fugir em vão,
Quando como um animal faminto, corria atrás das métricas e rimas.
Adeus poeta!
Que nesse desencontro todo perdeu o seu criar;
E no solto desejo de abandonou sua arte de sonhar.
Adeus poeta!
Despediu-se, quando julgou a poesia com limites humanos,
Tentando assim transformar em mortal, aquilo que é divino,
O mundo não se lembrará do poeta prático, dogmático,
Mas daquele que com os olhos ardentes da alma enxergava cada suspiro de sentimento,
E procurava na sua forma livre, demonstrar o que mais alívio lhe trazia.
Adeus poeta!
O tempo lhe dirá, as letras lhe dirão, as linhas gritarão,
Pois chegará neste instante o momento de dizer tudo aquilo que contido esteve,
E que finalmente ganha a forma de fino ouro e puro metal.
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Lá vem o vento uivante dos gélidos vales sagrados,
Das ondas quebradas em qualquer rochedo,
Onde sopra constantemente uma brisa fugaz.

Vem trazendo as cinzas do presente,
Que no passado foram fogo,
Ferido a ferro, resistindo forte aos berros,
Mas apagado pelo vento que o matou.

Passou forte e durou pouco, mas as casas caíram
E a chuva inundou meus lábios, e molhou minha mão.

Lá em o vem o vento quente da areia solta,
Da água que não para a distância,
De onde brotam os grandes rios que finalmente deságuam no mar.

Ele vem sem demora, perto está!
Ouço sua aproximação.
Ele sopra forte e não vai parar.
Talvez até se torne uma brisa, ou uma maresia pueril.

Lá vem! Chegou outra vez.
Perdi-me na água sem saber nadar,
O farol apagado abriga os últimos barcos salva-vidas.
Esse desespero provocou meu fim.

Na auto-estrada, numa curva perigosa,
Vi escrito no céu como minha vida é confusa
E os olhos brilhantes de lá piscaram aprovando minha rebeldia,
E o carro foi rodando pela rua vazia.

Enquanto o barulho for intenso estará envolvendo cada pensamento,
Embalado pelo sopro gélido do vento uivante,
Guardado na caixa proibida, trancado com meus desejos insanos.
E curado pela sensação ilusória do meu bem estar.

NÃO VOU

O mundo vai acabar e eu bem sei.
Não poderei salvar e nem tentei.
Agora fecho os olhos e espero o ruir,
da terra se abrindo, e o mundo engolir.

Espaço milenar que a água nos deu,
Evaporou o sal formando um mundo meu.
E agora eu pergunto: Onde foi que errei?
Vendo o mundo perdido e a sina de sua grei.

Nunca houve esperança na tarde do sol poente,
Não houve quem pensasse em salvar a sua gente.
E por mais que eu tente claridade ir buscar,
Devo entender que agora é hora de descansar.

Na revolução intelectual eu tentei retroceder,
Violei minhas próprias regras e fiz acontecer.
Percebi que não faz sentido e é inútil descobrir,
São só vazios assombrosos na escala do existir

Só sendo…

(por Nathalia Mattos)

Não sei o que tenho feito ultimamente.
Parei para pensar na minha vida, e tentei perceber o que nela se passava.
Imaginei mil coisas e mil possibilidades para o derradeiro estado da minha existência.
Cheguei a conclusão de que o certo não parece certo, o errado parece o ideal.

Os sonhos são fantasias realizáveis e no entanto completamente impossíveis.
As perguntas só têm perguntas e parecem não ansiar respostas.
Tudo isso num turbilhão de acontecimentos que parece não chegar ao fim.

Será que esse frenetismo é pelo que ansiamos?
Será que esse estado de espera contínuo que nos colocamos, como se algo melhor fosse só um sonho, é aceitável?

Não me coloco em situações de perigo por medo de apenas ter medo.
O ser humano tem medo até mesmo de se entregar ao amor, sendo esse o nosso único escape de fé e de esperança.

O medo de errar anula as expectativas de algo maior e melhor, residindo nas ideias loucas e ilusionistas do nosso pensamento.
Amar pelo contrário é abrir um oceano de possibilidades infinitas de felicidade.

Só queremos ficar perto das coisas que achamos certas, onde as surpresas são inevitáveis mas mesmo assim contornáveis.
O sentimento de conforto e comodismo traz o desespero de uma rotina que nos faz estagnar de forma horrível e até mesmo repugnante.

Será que perdi o ego e o orgulho? Ergui pouco a cabeça perante as situações em que me envolvi?
Sinto-me a perder aos poucos a capacidade de ser quem sou.

Conclui também que o desejo de me tornar destemida e imparável cresce, mas quebrar esse ser que me domina parece ser impossível.

Sei que sei ser melhor, sei ser A melhor, o encorajamento eventualmente viria de alguma forma ou de algum lado.

E bem parece que o momento chegou, o de impressionar o mundo com a minha existência, de não me privar de dizer “Sou incrível e extraordinária”.

Com a máxima certeza hoje digo, que viver não é esperar o sonho é fazer a realidade.

A Poesia

A poesia
Me envolveu com suas asas,
Suas palavras, feitas de luz macia
A poesia
Me fez beber seu veneno
Me matou com seu beijo amargo
A poesia
Me abriu as portas de sua morada
Quando não me restava mais nada
A poesia
Entendeu minha tristeza
E enxugou minhas lágrimas
A poesia
Me leva ao desconhecido
Para além dos sonhos
Por caminhos tristes
Por ruas vazias
Por luas tão frias
A poesia está sempre comigo
Minha dor, minha paz,meu abrigo
A poesia é quase uma alegria

Deus cuida de nós

Em meio a tribulações não nos percebemos,
angustiados quase cedendo ao infortúnio,
temos a consciência do mal que há
e tomamos atitudes desesperadas
para dele nos livrarmos.

Pensamentos entorpecidos,
parece não brotar mais as idéias brilhantes
e mergulhamos em um mar
de péssimas sensações infelizes.
Mas, esquecemos que há alguém,
superior a nós em todos os conhecimentos da vida
que zela por nossa paz.

Numa distração,
num momento em que nos desprendemos
por alguns instantes da inquietação,
lembramos que há um pai,
cheio de recursos e esperanças para nossas vidas.

Renasce um sorriso,
ressurge a fé
e vemos o quão pequenos somos
frente ao nosso próprio medo,
medo que não tem razão de ser
e que de fato não é…

Então que idéia podemos ter de nós mesmos?
Seria a idéia de que não acreditamos em Deus?
Ou teríamos a certeza de que nossa fé é muito fraca?
De fato, não temos forças nem mesmo para crer,
fé de palavra, de boca.
Fé que pensamos existir mas
que nem sabemos o que é.

Pregamos algo que não conhecemos e
isso descobrimos quando nossa fé é colocada a prova.
Mesmo assim,
Deus em sua infinita bondade nos suporta.

E podemos entender quais são os passos
que levam ao rumo da perfeição,
os passos que devemos seguir para melhorarmos,
para crescermos,
pois são os passos que
Deus tem cuidado para conosco,
de tanta benevolência
até com quem não acredita Nele.

Quantas vezes…

Quantas vezes nós pensamos em desistir,
deixar de lado o ideal e os sonhos,
quantas vezes batemos em retirada
com o coração amargurado pela injustiça.

Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade
sem ter com quem dividir,
quantas vezes sentimos solidão
mesmo cercado de pessaos.

Quantas vezes falamos sem sermos notados
quantas vezes lutamos por uma causa perdida,
quantas vezes voltamos para casa
com a sensação de derrota.

Quantas vezes aquela lágrima teima em cair
justamente na hora em que precisamos
parecer fortes,
quantas vezes pedimos a Deus
um pouco de força
um pouco de luz,
e a resposta vem seja lá como for.

Um sorriso, um olhar cúmplice,
um cartãozinho,
um bilhete,
um gesto de amor
e a gente insiste.

Insiste em prosseguir,
em acreditar,
em transformar,
em dividir
em estar, em ser,
e Deus insiste em nos abençoar,
em nos mostrar o caminho,
aquele mais difícl,
mais complicado,
mais bonito.

E a gente insiste em seguir,
Porque tem uma missão…
Ser feliz!