O mar interior

Os primeiros caminhos do mar são verdes,
lembram campos em flor que ao vento leve faz ondular em suaves brumas.

Esperamos nossos bons momentos chegar enfim,
seguirmos à procura de nossa ilha encantada que habita adormecida entre as brumas.

Sinto viver dentro de mim um mar bravio, tempestuoso.

Sinto viver em mim um mar de sombras,
mas rico em vidas e harmonia,
e que misteriosamente nasce versos que se transformam em músicas errantes
como os caminhos dos ventos,
cujas asas ao mar geram tormentas.

Ouço nas horas calmas e serenas,
águas que murmuram como que em prece estranhas orações intraduzíveis.

Ouço também deste mar nos instantes inquietos e terríveis,
ventos desesperados
e soluços de ondas agonizantes.

Ouço minha voz vibrar, sonoras como que cantando!
Há! Mas não direi,
não conseguirei jamais dizer com as minhas palavras.

Há uma luz que resiste aos ventos e que resiste às chuvas,
uma luz que tremula indecisa nos limites das trevas.

Surge de dentro de mim um vento brando
e embalador que traz perfumes serenos das Campinas em flor,
das árvores, das longínquas matas;
um vento brando que adormece e torna ameno o grande e alegre dia,
manso sim, mas faz estremecer as rosas nos rosais e os frutos já maduros.

Será que vem de mim mesmo ou de algum recanto desconhecido?

Como uma luz vindo das estrelas chegou até mim e se apossou do meu coração e o conduz,
às vezes o meu olhar para recantos maravilhosos,
misteriosos e perdidos no tempo e espaço?

Será que estou vendo e ouvindo tudo isso mesmo?

Quando a poesia vem e me reclama,
me transfigura e seduz como o pássaro no ar e os peixes n’água,
como ente amorosos em seus amores.

Eliezer Lemos

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