Mentiras de pescador

Certa vez me meti a pescador
e fisguei por azar um candiru
que era forte que só um boi zebu
quando puxa o arado com vigor
Amarrei meu caniço num trator
pra poder puxar ele pra areia
Quem duvida por certo me aperreia
mas a isso até não recrimino
que o peixe apesar de alevino
era muito maior que uma baleia

Uma vez eu estava num rodeio
e montava num touro campeão
De repente surgiu um furacão
que ninguém sabe donde ele veio
Mas passando na arena pelo meio
provocou na platéia um frenesi
Com a fúria do vento eu subi
e o tufão me levou pro alto-mar
Numa ilha deserta eu fui parar
mas do lombo do touro não desci

Uma vez eu deixei um papagaio
com meu primo que é um militar
Como estava aprendendo a falar
só ficava olhando de soslaio
Quando o ano entrou no mês de maio
ele já discursava com fluência
e por causa daquela influência
desse primo que é um Marechal
inda canta o Hino Nacional
perfilado e prestando continência

Vou contar o que me aconteceu
quando dei numa bola um chutão
Eu botei tanta força no tendão
que a bola subiu e não desceu
Lá no sul ela desapareceu
que não dava pra ver numa luneta
De repente avistamos um cometa
e era a bola chegando pelo norte
O efeito do chute foi tão forte
que ela fez toda volta no planeta

Já pesquei bagre, anjo e corvina
sem usar uma rede ou samburá
Com meu barco no rio Paraná
fui até onde estava a usina
Amarrei no meu barco a turbina
e girei para trás a engrenagem
Fiz o rio voltar pela barragem
e os peixes caíram pelo chão
Recolhi tanto peixe e camarão
que não sei calcular a tonelagem

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