Não desejes nem sonhes

Não desejes, nem sonhes, alma incauta com a ilusão passageira,
Lembre-se sempre que a ilusão tem o encanto da sereia,
Não desejes nem sonhe com a ilusão,
Pois ela e semelhante às noites aromais de lua cheia que
Seduz e perde, em alto mar, o nauta.

Feliz daquele que os seus atos e anseios modera
Dentro dos dons da vida que o rodeia,
E acha o seu leito macio e a sua mesa farta
E vive na indiferença da fortuna e coisas alheias…

Feliz de quem, da vida para a morte,
Embora pobre, de pobreza triste,
Contenta-se, afinal, com a própria sorte.

Se há ventura no mundo, essa consiste,
Talvez, em suportar, de ânimo forte,
A renúncia de um bem que não existe.

Eliezer Lemos

Nasce uma poesia

Quando estou triste e quero lavar minhas magoas,
quando sinto um grande aperto no meu coração,
quando estou feliz e repleto de emoção.

É quando algo dentro de mim começa a germinar,
borbulhar como uma nascente no fundo do rio; não posso conter-me,
tudo acontece como um grande turbilhão em meu cérebro,
assim nascem minhas poesias!

Moinho d’água moendo em silêncio mói o que tem de moer,
e a dor dói sem parar.

Quando se ama profundamente,
todos sons que chegam aos ouvidos, e toda imagem que tocam as retinas,
os sentidos ficam mais aguçados e afinados,
tudo em nossa volta nos inspira a pura poesia.

Ah! Este verdadeiro sentimento o AMOR!

Que tem acompanhado aos anjos e alguns da humanidade.

Eliezer Lemos.

O mar interior

Os primeiros caminhos do mar são verdes,
lembram campos em flor que ao vento leve faz ondular em suaves brumas.

Esperamos nossos bons momentos chegar enfim,
seguirmos à procura de nossa ilha encantada que habita adormecida entre as brumas.

Sinto viver dentro de mim um mar bravio, tempestuoso.

Sinto viver em mim um mar de sombras,
mas rico em vidas e harmonia,
e que misteriosamente nasce versos que se transformam em músicas errantes
como os caminhos dos ventos,
cujas asas ao mar geram tormentas.

Ouço nas horas calmas e serenas,
águas que murmuram como que em prece estranhas orações intraduzíveis.

Ouço também deste mar nos instantes inquietos e terríveis,
ventos desesperados
e soluços de ondas agonizantes.

Ouço minha voz vibrar, sonoras como que cantando!
Há! Mas não direi,
não conseguirei jamais dizer com as minhas palavras.

Há uma luz que resiste aos ventos e que resiste às chuvas,
uma luz que tremula indecisa nos limites das trevas.

Surge de dentro de mim um vento brando
e embalador que traz perfumes serenos das Campinas em flor,
das árvores, das longínquas matas;
um vento brando que adormece e torna ameno o grande e alegre dia,
manso sim, mas faz estremecer as rosas nos rosais e os frutos já maduros.

Será que vem de mim mesmo ou de algum recanto desconhecido?

Como uma luz vindo das estrelas chegou até mim e se apossou do meu coração e o conduz,
às vezes o meu olhar para recantos maravilhosos,
misteriosos e perdidos no tempo e espaço?

Será que estou vendo e ouvindo tudo isso mesmo?

Quando a poesia vem e me reclama,
me transfigura e seduz como o pássaro no ar e os peixes n’água,
como ente amorosos em seus amores.

Eliezer Lemos

Minha inspiração

A poesia flutua em teus olhos,
como uma luz que nasce do teu ser,
que floresce nos teus lindos olhos e permanece.

A poesia se desprende de ti, são frutos da arvore que é você.

Como o vento agita as velas dos navios, e eleva os pássaros no ar;
a poesia vibra na tua voz molhada, veemente, grave e única.

Você transforma-se numa linda flor quando adormece,
a poesia envolve o teu sono, o qual nele mergulha e se aprofunda.

E como uma plantinha no sereno de uma noite enluarada,
respiras mansamente, e eis que neste momento vem a verdadeira poesia,
e cresse em tua seiva noturna.

A poesia habita teus lindos cabelos, sedosos e encaracolados,
fica aninhado nas tuas lembranças com belos sonhos,
e em tudo que te envolve e pertence.

Eliezer Lemos

Mundo virtual…

Você!
Chega assim em meu pensamento,
num momento de tristeza,
me envolvendo em teus abraços,
braços que nunca toquei.
E nos teus olhos encontro,
o grande carinho do amigo,
que nunca vi, e encontrei…
Você!
Chega muito mais presente,
no sorriso do momento,
em que se cruzam as telinhas,
palavras, toques e abraços,
de dois que se unem distantes,
da eterna e sincera amizade do virtual,
perdido no espaço…
Você!
Talvez ainda mais real que tantos e tantos encontros,
me acompanha em solidão,
em noites e noites a sós,
no escuro de tantos quartos,
onde um só se une a tantos,
e cada um, é um de nós…
Eu, você, e o Virtual…

Eliezer Lemos

Não estou podendo

Não estou podendo abraçar essa causa
O meu amor precisa de uma pausa
Pra suportar tanta falta de interesse
Há, sei de que não adianta ser especial
Tentar ser natural e mostrar o meu valor
Na escola da vida eu vou aprendendo
Um erro aqui e um acerto acolá
Mas no fundo eu quero acertar
Viver e amar com você, alimentar os seus e os meus sonhos
Não só com bombons e carinho, mas com muito amor
Há, sei que não adianta te procurar agora
Que você está na primavera
Esperarei o inverno, para chegar e aquecer seu corpo
Quero mais é tocar seu coração
E nele guardar tudo que possa trazer você pra mim
E nele apagar os momentos tristes e colocar mais alegria
E momentos felizes de nós dois
Quero mais é tocar seu coração
Levar seus olhos para um mundo melhor
Ninguém mais vai te deixar sozinha, enquanto eu existir
O meu dia começa melhor com você por perto
Um simples telefonema, um beijo, qualquer coisa que me aproxime de você
Aqui não tem lugar para a solidão, só um coração procurando você

Eliezer Lemos

UM SAMBA DE AMOR

Não é preciso estudar
Para fazer um samba de amor,
Falando da flor
Que conquistou seu coração.
Não, não é preciso.
Não é preciso não.

Basta apenas amar
E deixar acontecer,
Que a inspiração virá,
Tudo vai transcorrer naturalmente,
Como um rio a correr,
Como um sol no amanhecer.

Em matéria de amor,
Não há graduação
Maior que o bem querer;
Tudo vira paixão!
Eu e você juntos
Na mesma canção.

*Edmundo de Souza – Edson Cartolinha

VEM DANÇAR FORRÓ

Vem pra cá,
Vem dançar
Forró pé de serra
Pra você suar.

A poeira vai levantar.
Sanfoneiro é do bom
E faz esse fole chorar.

Pego a morena
E no meio do salão,
Vamos arrastar chinela
Com maior satisfação.

Moço apague o candeeiro
Que tudo vai esquentar.
Hoje é dia de quadrilha,
E o fole não pode parar.

Vem pra cá,
Vem dançar
Forró pé de serra
Pra você suar.

A poeira vai levantar.
Sanfoneiro é do bom
E faz esse fole chorar.

Aperto a donzela
Firme nos braços,
E danço com ela
Forro, baião e xaxado.
E no seu perfume,
Eu me embriago.
Quero casar com ela
Tou apaixonado.

*Marcelo Maya – Edmundo de Souza.