Reminicências acusadoras:

Pelas mãos de criaturas de instinto perverso
são ceifados os sonhos de amor e esperança.
Há seres humanos que trazem o coração submerso
nos pântanos sombrios onde a luz não alcança.

Trago impresso nas mãos traços em forma de cruz.
Pulsa em meu subconsciente uma dúvida constante.
reminiscências acusadoras da peregrinação de Jesus,
de ter sido um cúmplice, um infame participante.

Das mãos que cobiçaram as moedas por recompensa
entregando o divino mestre aos cruéis algozes,
Das mãos que foram lavadas após a injusta sentença
ao condenar um justo aos sofrimentos mais atrozes.

Das mãos que teceram a coroa de espinhos trançados,
que cingiu sem piedade a fronte imaculada de Jesus,
das mãos que esculpiu na madeira a golpes de machado,
um esboço repugnante, de uma rústica e sombria cruz.

II
Das mãos que manejaram o cruel látego trançado,
e transformou em sulcos sua trajetória sibilante,
das mãos que prenderam nos pulsos do réu ultrajado
um caniço imitando o cetro do escárnio humilhante.

Das mãos que martelaram o cravo pontudo, e aguçado,
cravando sem piedade as mãos do divino Mestre Galileu,
as mãos que dividiram o pão, o alimento abençoado,
mãos que suplicaram o perdão para o verdugo fariseu.

Depois de ter palmilhado a via exaustiva e pedregosa,
e ter sangrado os pés nas pedras cortantes do chão,
receberia no peito o golpe da lança, penetrante dolorosa,
impulsionada pelas mãos de um verdugo sem coração.

Mãos que continuam através do tempo estendidas,
amparando com ternura suas ovelhas desgarradas,
retribuindo com amor pelas ofensas recebidas
convidado, com carinho, à seguir suas pegadas.

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