MORTE e VIDA

uma passagem do túnel
da morte para a vida
a ultrapassagem
o ar
a fragilidade do caminhar
é o desconhecido à enfrentar
é o levantar
vida
é a eterna busca do seu eu
do seu encontrar
Somos meros mortais
vindos para uma missão
destinados por Deus
para na Terra cumprir
com resignacäo
Vida
quem somos?
Eternamente buscamos
a resposta desse conflito interior
saberemos sómente
quanto retornaremos ao túnel
do esquecimento
é o fim
é a morte
é o ínicio
é a vida

Lu Lena

SAUDADE MÓRBIDA

Aprecio a paisagem translúcida no espaço
Ouço o bater de sinos na capela distante
Vento varre a cabeleira dos verdes matos
No céu, vejo cortejo d'espíritos viajantes.

Balanços das folhas, vultos acenam pra mim
Dogmas infundados entre a vida e a morte
Sopram ao meu ouvido, que isso não tem fim
Círculo vicioso e simbiótico lançado a sorte.

Prolixa e moribunda divago sem entender
Na oculta inflorescência a busca do amor
Lágrimas gotejantes, doridas de um sofrer.

Na lápide, vejo um poço árido que secou
Nas flores silvestres, o toque de teu ser
Saudade mórbida foi apenas o que restou.

Lu Lena

VOZES DO SILÊNCIO

No papel pergaminho de ilusão
Lágrimas borram sentimentos
Em rabiscos que solto ao vento
Conflito esvaindo-se na escuridão

Na parede o relógio do tempo
Ponteiros da vida em oscilações
Lacrimejando sonhos desfeitos
Quebra cabeças de recordações

Inerte sem resposta do passado
Caminho num círculo sem chão
Pensamentos difusos acoplados

Sem saber se é real ou fantasia
Vozes ecoam no meu coração:
– Segue e silencia tua sina!

Lu Lena

COLCHA DE RETALHOS

Pensamentos, recordações oscilam
num destino desfiado de renúncias
grilhões que me prendem num exílio
enleada em ti a tua e a minha vida.

indeléveis cicatrizes em minha memória
em carretéis e linhas opacas e sem cor
na caixa de costura toda nossa história
alfinetes agulhas ludibriando nosso amor.

cerzindo versos, exalando nossa essência
assim vou tecendo estática nossos pedaços
entre gotículas de lágrimas em reticências…

vozes, murmúrios, sem viços e transparências
bordando prolixa nossa colcha de retalhos…
Aguardando o tempo esvair nossa existência.

Lu Lena

CONFESSO!

Que me enclausurei a ti em um reduto
levitei num orbe insondável de agruras
enfraquecida chorei num canto escuro
súdita andei sem mapas e sem bússolas

por onde andei vi penhascos sombrios
ao meu lado tua sombra a me corromper
sugando o meu calor aquecendo o teu frio
na solidão insurgente vagueio sem te ver

Em minha memória resíduos de outrora
renegando meus dias, sinto-me reclusa
ocultas meus medos e aflições de agora
enleada numa névoa jaz um'alma confusa

Acordo! vejo um céu em preto e branco
recordações em resíduos de outra vida
olhos marejados num coração em prantos
lágrimas de agora, confesso: – Imerecidas!

Lu Lena

SINA!

Presas e atadas em ti minhas mãos
Algoz de outrora num lacre em mim
De costas e vendados na escuridão
Ruminando nesse labirinto sem fim.

Por mais que eu tente me libertar
Sangram os pulsos e corpo desse nó
Morte irreversível sufoca-me o ar
Vultos disformes perambulam no pó.

Amordaçados e moribundos sem voz
Num grito seco abafado emudecido
Ecoando na masmorra fétida e atroz.

Decompõe-se meu corpo esvaecido
Regozijo-me fulgurosa na luz veloz
Acordo! Vejo-te novamente comigo!

Lu Lena

CLAMOR DO SILÊNCIO…

No vazio inglório e inerte, ouço tua voz!
Choro compulsivo em lágrimas secas no leito,
Sufoca-me o ar, nessa demência insone e atroz.
Onde estás? Arranca de mim o que resta em meu peito.

Sem meu corpo efêmero, minh'alma envolta no véu,
Aflição, angústia em ti nessa busca intensa.
Murmúrios deletérios na negritude do céu.
Sombras que sopram ao vento a saudade imensa.

Teu silêncio gélido desgraça meus dias e noites.
Livre do corpo moribunda… Busco-te, meu amor!
Sigo nessa espera intrépida, de abismos e açoites.

Submersa nesse sono letárgico, fico a tua mercê.
Oh! Por que não ouves em meu sonho, o meu clamor?
Estarei eu, morta ou viva? Responda-me, por favor!

Lu Lena

Cruzada de Amor

Que a raiz desta cruzada de amor, neste tempo de regeneração se estenda por todo o mar da vida, grata vida. Também pela lei da reencarnação por todas as próximas encarnações num pensamento sideral.
Nunca deixarmos de acreditar no Brasil, terra da esperança; nunca deixarmos de acreditar em Deus, através de uma prece, de uma súplica a Jesus e do perdão a todos os irmãos, filhos do criador.
Que em nossos caminhos tenham sempre lírios para nos alegrar e anjos para nos proteger.
Seja livre, seja o amor.