Horizonte Longínquo

Por algum horizonte longínquo
Sou seduzido por algum tipo de veneno
Meus olhos correm como cegos cavalos da solidão
Segredos de um velho coração
Atráidos pelas cores da traição
Do mais sábio dos mares
Que, na areia, prende meus pés
Jogando meus braços ao encontro de suas marés

Solto ao vento
Como as folhas e a bruma
No calor desse momento
Até onde dá o firmamento
Rabiscado por restos de uma chuva que passou
Minha alma se espalha
Por esse labirinto
Nas raízes desse infinito

Sinto-me como um velho elefante
Morrendo solitário
Sem ter beijado o bom do amor
Como um trem do interior
Que nunca chega no horário

Fino como um galho
Cuspindo todo perfume
Um vaga-lume escondido
Nas flores do jardim
Aprisionado em um trem
Amarrado em um horizonte
Que me dá o bem que necessito
Assim
Até o fim
Aguardando a hora de uma morte
Que tanto preciso

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