O peso da Cruz

Trabalho, luta, fadiga, labuta. Recompensa insuficiente!
Bico, raça, sujeira, trapaça, problema. Mais um rato na ratoeira.
Prisão. Coração a palpitar. Concentração. Mente arrefecida!
Condicional, tempos difíceis. Liberdade cedida.
Crucia protelada por infames preconceitos e desrespeitos.
Dificuldade excessiva. Liberdade evasiva.
Trabalho, luta, fadiga, labuta. Recompensa insuficiente!
Possibilidades estarrecidas de necessária sujeira.
Mente arrefecida!
Tristeza no olhar do inquilino do sofrimento a comungar justiça.
Mente arrefecida!
Oportunidade fulminante de celebre retirante,
cruciado por infames preconceitos de estirpe análoga.
Aceitaram-se, sendo inaceitáveis, nessa amoral e hipócrita sociedade.
Negócio honesto de crescimento exorbitante.
Recompensa não mais insuficiente.
Vida respeitável. Caridade adorável. Destino louvável.
Das portas fechadas às mesquinhas mediocridades,
bajulações inconsoláveis, num fim inimaginável.
Da cruz, antes incarregável, à um crucifixo pendurado no pescoço.
Tão leve, sempre fora, bastava pendurá-la no pescoço.

Rafael Figueiredo

Mulher

Seja ainda no ventre uma criança
Se nasce uma mulher, nasce uma esperança.
Vem ao mundo a gritar e chorar
Como se dizendo pronta para amar e criar

Hora sensível como uma flor
Hora com vontade de mudar o mundo
Mostra a todos que com seu amor
Sabe apreciar cada segundo

Assim é mulher,
Capaz de amar, capaz de gerar.
Por amor sofre sem falar,
Mas não desiste de amar.

Mulheres,
Meninas, adolescentes ou idosas
Todas tem seu valor.
Guerreiras, soberanas.
Assim é a mulher:
Luz, vida e calor.

Firme a meu lado…

Mais um passo
Na direcção do dia
Mais uma noite em claro
Vem para junto de mim…ecoar no espaço!

Mais um arrasto,
De joelhos frente à vida
Prostrado mas contente de rasgado indiferente
Junto a mim…acompanhas-me a lida, no passo de sempre!

Deitado e
Já sem arrasto,
Bebendo dos cantos que me esperam
Sou falhado mas cantado no tom que me aguarda o anoitecer
Julguei-te a meu lado mas para meu prazer, vejo-te de pé a correr!

ASTRONAUTAS GENERIAS

Eu conheci meninos, simples meninos,
Eu os conheci quando eles ainda eram jovens,
Quando eles ainda sonhavam com o porvir,
Quando eles ainda exploravam a própria caverna.
Eu conheci meninos, simples meninos.
Eu os conheci quando eles imitavam artistas,
Quando eles ainda gostavam de apelidos,
Quando eles ainda respeitavam seus heróis,
Quando eles ainda tinham seus heróis.
Eu os conheci meninos, simples meninos.
Mas os meninos abençoados, viraram deuses,
Viraram anjos rebelados contra a ordem celeste,
Abraçaram sua intelectualidade pueril, gritaram,
Embruteceram-se com falsas doutrinas,
Intelectualizaram as bestas dos campos,
Destruíram as lembranças, as letras, o abraço.
Ousaram ser divindades, e não deram o tom,
Esquecendo-se que aqui, matamos deuses,
Enterramos seus corpos numa tumba fria,
Armamos soldados para guardar o corpo.
E os meninos deixaram de ser meninos.
E os meninos que conheci, não são mais,
Tive que matá-los em meus pensamentos,
Eu esqueci os meninos, simples meninos.
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INFÂNCIA

Crianças com corações maquiados,
Com olhos abertos e mentes fechadas,
Busquem no bosque sombrio a energia que lhes falta.
O que somos, senão crianças, ignorantes acerca do próprio destino?
Nesse dia em que a chuva coroa o céu e a terra,
Estou ao lado da histórica meretriz,
Buscando por pouco tempo informações sobre sua fonte.
Minha cabeça, contudo, está me traindo,
pregando-me peças que nem sei dizer.
Só sinto que não sei como sentir.
Não teria direito de ser assim,
mas nunca estamos sós, e agora não seria diferente,
Apenas uma nova porta de um novo ciclo.
Pena que não posso afirmar por quanto tempo devo aguardar,
para um dia tudo se fechar ao meu redor,
Talvez então eu possa notar que sou simplesmente alguém,
cuja história de fracassos e vitórias, ninguém saberá.
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TINHA TUDO

Tanto tempo tardio,
Trepidando truculento
Tomando tento e
Tecendo túnicas tingidas em
Tonéis tintos.

Torrentes tempestuosas,
Trazem tudo triturado,
Tocam o tambor temperado nas
Tardes tórridas e
Temidas das touradas.

Também tentei tirar tudo que
Trazia trancado, tortura!
Tardia trazia, tortura!
Trancada tentativa, e a
Tentação tentou, tentou e tirou tudo.

A REVOLUÇÃO É INTELECTUAL PORRA!!

Bandeiras levantadas, exército em prontidão,
Armas preparadas e o sonho de fazer revolução.
Revolucionar idéias, pensamentos e costumes
Coletas de sonhos pobres enfeitados com perfumes.

Acreditei no que me disseram, mentiras pra me convencer,
Em promessas mal cumpridas tento achar força pra viver.
Já não importa o que me digam, eu não vou acreditar
Só espero que um dia possa tudo acabar.

Mataram nossos índios, os levaram a destruição
Roubaram suas terras e agora esperam seu perdão.
Tupã não tenha piedade de a todos vir buscar,
aja com maldade contra aqueles que usaram a cruz pra te matar.

Tornaram nossas filhas fruto da escravidão
Destruíram a família com poder de sedução
Não existe mais sentido na mentira de viver.
Em um povo excluído, o que é feito de você?

Levantemos as bandeiras já que a luta começou
E os gritos dos intelectuais serão a força do motor.
Matemos a injustiça, a força da ocupação,
E todo o louco que invade terras, nossos alvos serão.

Que a razão venha gritar e saia do espelho
que ninguém reconheça a insanidade do abril vermelho.
Liderado por loucos, frouxos em cartas de baralho,
Que te tudo já fizeram, apenas esqueceram de procurar trabalho