JANAINA MENINA

Janaina, cabocla menina…
Mãe natureza que mais me fascina
Teu olhar cor de jambo, pequena flor…
Rainha da beleza e deusa do amor.

Janaina pequena, flor menina…
Lábios de mel, olhar que ensina
Dama da noite é seu o luar…
Vida da mata do sol clarear.

Janaina menina, pequena rebelde…
Mãe da saudade, do esplendor da relva
Me ensina a verdade , menina do olhar…
Índia pequena teu lindo colar.

Janaina menina, pequena sereia…
Dona do sol teus passos na areia
Me ensina o caminho me faz a certeza…
Este teu lindo sorriso, menina beleza.

Janaina, cabocla menina…
Dona do vento, da manhã vazia
Teus cabelos assanhados, tua pele macia…
Mãe natureza que mais fascina
Pequena cabocla, Janaina menina.

Em homenagem a Janaina Alves Feitosa
Pelo poeta Marcelo Henrique Zacarelli
20/setembro/1990 Itaquaquecetuba (sp)

ELLEN

E lembrança de um dia que marcou
E lembrança de um lábio que beijou
E lembrança da menina que amou
Ellen, a saudade que ficou;

E lembrança da floresta esquecida
E lembrança da coragem desguarnecida
E lembrança da imagem desaparecida
Ellen, tão cheia de vida;

E lembrança dos caminhos que passamos
E lembrança dos carinhos que trocamos
E lembrança de lugares que sentamos
Ellen, dentre os lábios de profanos;

E lembrança de desejos e vontades
E lembrança de belezas e vaidades
E lembrança de pensamentos e maldades
Ellen, liberdade atrás das grades;

E lembrança da menina insolente
E lembrança de sorrisos descontentes
E lembrança que não sai da mente
Ellen, menina sofrida, ferida e carente;

E lembrança que a distância não separa
E lembrança de momentos que ficara
E lembrança de sentimentos que furtara
Ellen, doença que não sara.

Homenagem a uma garota chamada Ellen
Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Dezembro de 2001 no dia 11

O peso da Cruz

Trabalho, luta, fadiga, labuta. Recompensa insuficiente!
Bico, raça, sujeira, trapaça, problema. Mais um rato na ratoeira.
Prisão. Coração a palpitar. Concentração. Mente arrefecida!
Condicional, tempos difíceis. Liberdade cedida.
Crucia protelada por infames preconceitos e desrespeitos.
Dificuldade excessiva. Liberdade evasiva.
Trabalho, luta, fadiga, labuta. Recompensa insuficiente!
Possibilidades estarrecidas de necessária sujeira.
Mente arrefecida!
Tristeza no olhar do inquilino do sofrimento a comungar justiça.
Mente arrefecida!
Oportunidade fulminante de celebre retirante,
cruciado por infames preconceitos de estirpe análoga.
Aceitaram-se, sendo inaceitáveis, nessa amoral e hipócrita sociedade.
Negócio honesto de crescimento exorbitante.
Recompensa não mais insuficiente.
Vida respeitável. Caridade adorável. Destino louvável.
Das portas fechadas às mesquinhas mediocridades,
bajulações inconsoláveis, num fim inimaginável.
Da cruz, antes incarregável, à um crucifixo pendurado no pescoço.
Tão leve, sempre fora, bastava pendurá-la no pescoço.

Rafael Figueiredo

Mulher

Seja ainda no ventre uma criança
Se nasce uma mulher, nasce uma esperança.
Vem ao mundo a gritar e chorar
Como se dizendo pronta para amar e criar

Hora sensível como uma flor
Hora com vontade de mudar o mundo
Mostra a todos que com seu amor
Sabe apreciar cada segundo

Assim é mulher,
Capaz de amar, capaz de gerar.
Por amor sofre sem falar,
Mas não desiste de amar.

Mulheres,
Meninas, adolescentes ou idosas
Todas tem seu valor.
Guerreiras, soberanas.
Assim é a mulher:
Luz, vida e calor.

Firme a meu lado…

Mais um passo
Na direcção do dia
Mais uma noite em claro
Vem para junto de mim…ecoar no espaço!

Mais um arrasto,
De joelhos frente à vida
Prostrado mas contente de rasgado indiferente
Junto a mim…acompanhas-me a lida, no passo de sempre!

Deitado e
Já sem arrasto,
Bebendo dos cantos que me esperam
Sou falhado mas cantado no tom que me aguarda o anoitecer
Julguei-te a meu lado mas para meu prazer, vejo-te de pé a correr!

ASTRONAUTAS GENERIAS

Eu conheci meninos, simples meninos,
Eu os conheci quando eles ainda eram jovens,
Quando eles ainda sonhavam com o porvir,
Quando eles ainda exploravam a própria caverna.
Eu conheci meninos, simples meninos.
Eu os conheci quando eles imitavam artistas,
Quando eles ainda gostavam de apelidos,
Quando eles ainda respeitavam seus heróis,
Quando eles ainda tinham seus heróis.
Eu os conheci meninos, simples meninos.
Mas os meninos abençoados, viraram deuses,
Viraram anjos rebelados contra a ordem celeste,
Abraçaram sua intelectualidade pueril, gritaram,
Embruteceram-se com falsas doutrinas,
Intelectualizaram as bestas dos campos,
Destruíram as lembranças, as letras, o abraço.
Ousaram ser divindades, e não deram o tom,
Esquecendo-se que aqui, matamos deuses,
Enterramos seus corpos numa tumba fria,
Armamos soldados para guardar o corpo.
E os meninos deixaram de ser meninos.
E os meninos que conheci, não são mais,
Tive que matá-los em meus pensamentos,
Eu esqueci os meninos, simples meninos.
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INFÂNCIA

Crianças com corações maquiados,
Com olhos abertos e mentes fechadas,
Busquem no bosque sombrio a energia que lhes falta.
O que somos, senão crianças, ignorantes acerca do próprio destino?
Nesse dia em que a chuva coroa o céu e a terra,
Estou ao lado da histórica meretriz,
Buscando por pouco tempo informações sobre sua fonte.
Minha cabeça, contudo, está me traindo,
pregando-me peças que nem sei dizer.
Só sinto que não sei como sentir.
Não teria direito de ser assim,
mas nunca estamos sós, e agora não seria diferente,
Apenas uma nova porta de um novo ciclo.
Pena que não posso afirmar por quanto tempo devo aguardar,
para um dia tudo se fechar ao meu redor,
Talvez então eu possa notar que sou simplesmente alguém,
cuja história de fracassos e vitórias, ninguém saberá.
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