A VIDA É UM POEMA

A vida é uma criança
Que acaba de nascer;
É um choro de viúva
Por alguém morrer;
É à tarde sombria
De um pensamento;
É a lágrima escondida
De um arrependimento;
A vida é a saudade
Que aperta o peito;
É alguém que te espera
Num abraço violento;
A vida é poesia
Solidão que vicia;
É o bater do coração
É o corte do umbilical;
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim;
A vida é uma proeza
Cercada de incerteza;
A vida é prematura
É eterna enquanto dura;
A vida é real ou ilusão
É livre arbítrio de decisão
Por quem escolhe
Ser feliz ou não;
A vida é nada mais
Que a lei suprema;
Do divino Deus
Que a tornou poema.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Dezembro de 2008 no dia 02

Village Itaquá

O AÇO DA SAUDADE

Lamina cega que ao pulso cerra
O frio do teu metal confronta-lhe a face
Que ocultas sinais e tremores

O teu golpe que do frio sangue jorra
Esvaziar se faz em copos rasos
Um sorriso dispersa e atento

Inquieto espera o desferir
Não mais que o tempo o machuca
O aço da saudade que penetra

Sóbrio o corpo empilha na vala
A guia o toma como morto
Da bebida que exala pela entranha

Usurpar se faz na insensatez
Á cólera que teu rosto assola
A solidão que dispersa em pensamento

Entorpecido arremessa teus olhos ao céu
Do arrependido Deus que lhe oculta a face
Torto mendigo de esfacelados pecados

Se o inverno que à tarde trás e o congela
A lápide envelhecida em negrito o traga
Amarga e cala a voz que por vez
Outrora não só a matéria que desfaz
A maldita saudade como homem carregou.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Abril de 2008 no dia 01
Arujá (sp)

ENGENHEIRO MANOEL FEIO

Não existe lugar mais feio que o Manoel
Nem engenheiro melhor que Manoel feio
Rascunho de um bairro rabiscado no papel
Criança desnutrida debruçada em teu seio.

Manoel feio, tão feio quanto o próprio nome!
O nome de Manoel não é tão feio assim
Subúrbio da periferia que adormece pobre
E acorda na estação a multidão sem fim.

Longas ruas de terra (terra de verdade)
Manoel não se envergonha e nem culpa tem
O engenheiro que morreu nos deixou saudade
Deixou seu nome feio não importa a quem.

Mauá foi de Barão, Manoel de itaquá!
Na descoberta de Anchieta um anseio
Que ele jamais poderia imaginar
Ter um bairro da cidade com o nome feio.

Nos dias de hoje presto uma homenagem
A esta gente humilde que vive em nosso meio
Aos viajantes que por aqui passaram
Jamais irão esquecer de Manoel feio.

Homenagem á estação ferroviária
Subúrbio Engenheiro Manoel Feio.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Novembro de 2002 no dia 29
Itaquaquecetuba (sp)

ESPINHO NA CARNE

Calei-me por um momento
Quando me perguntastes sobre minha tristeza
Fitado por alguns segundos
Tentando achar onde estou
Então me procurei no futuro
Apressei-me, a saber, que ali não estava
Então me procurei no passado
Confesso foi terrível as lembranças
Ao rever meu corpo violentado
Pelas marcas da ingratidão
Vi também meus olhos surrados
Por lágrimas que chicotearam minha face
Por causa de palavras vãs
E lábios fingidos
Não puderam compreender tamanha dor
Retornei rapidamente ao meu subconsciente
E percebendo que ainda me olhavas
Calei-me por outro momento
E senti que com o toque singelo
Dos teus dedos
Buscavas atingir o meu corpo
Mas sei que por mais brando
Que pudesse ser
Seria inevitável não tocar as feridas
Busquei confortá-la
Ao explicar a beleza de uma flor
Que na sua beleza
São repletas de espinhos
Basta apalpá-las e senti-las
A palma das mãos machucarem
E nem sequer lembramos seu perfume
Talvez nem sua cor percebamos
Somos parecidos ao sentirmos dor
Então observastes minhas palavras
E no silêncio deste momento
Calastes por um instante
Quando te perguntei sobre tua tristeza.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Novembro de 1997 no dia 04

Companheira Saudade!

É a mó remoendo, é a goteira pingando,
É cisterna profunda e o balde a chorar.
São coqueiros ao vento gemendo e dobrando.
É corredeira que busca a baixada e o mar.

É o marruá desgarrado embrenhando o sertão,
São ondas sem fim que estouram ao léu.
São espinhos sem rosas, é rosa sem botão,
São nuvens de chuva escurecendo meu céu.

No compasso que o peito continua marcar,
O coração, de saudade, em si já não vive,
Remói as lembranças que insistem em ficar,
Recordando os mais belos momentos que tive.

Marisco a espreitar, entranhado em fendas,
Cada onda que chega desse mundo sem fim,
Meus olhares anseiam vislumbrar oferendas,
De pétalas que sejam que ela mande pra mim.

Assim a saudade martela e martela,
Assim eu lamento não ser como o vento,
Que agita os coqueiros no caminho dela,
Que acaricia seu corpo a cada momento.

No compasso do peito esse agito é tormento,
De um coração solitário saltitante por ela.
Testemunha presente de tanto lamento,
Oh saudade, saudade, que o tempo congela!

Faz sofrer, mas é lua a alumiar a esperança.
É rebeldia, se a luta quer meu sonho isolar,
Companheira saudade, nessa longa andança,
Clarifica o meu céu até ela voltar!

Manito O Nato

Espera…

“Estava a espera de um milagre…
Com você retirando suas frias palavras…
Secando minha mais recente lágrima derramada…
E, me olhando outra vez de um modo especial.
Enfim, será que tudo estaria bem?
Tendo você em seus melhores momentos…
E, eu a esconder meus medos de te perder…
Você, não sentindo a vida nos separar…
E, eu te procurando sem pensar…
Por certo estaria tudo bem.
Mas, o mundo que dá voltas…
Fez um giro completo em nossas vidas.
Hoje, não vejo você chegar…
Você não me vê chorar…
E, não consigo acreditar…
Nos enganos em que tentas se agarrar.
Portanto, estou a espera de um milagre…
De que um dia tudo esteja bem.”

Saudade…

Amor talvez…quando ler estás linhas,estás mãos que hoje as escreve,já estejam fechadas para sempre…
E esses olhos cansados de derramar lágrimas em vão já estejam sem vida…
Sentirás talvez remorso por dado me apenas desprezo,a quem só pedia um pouco de amor,mais nada.
Sentirás saudades da nossas tarde de amor.
Sentirás saudades das noites em que passamos juntos…
Sentirás saudades dos meus lábios que se uniam com os seus,desesperadamente de que aquele momento jamais teria fim.
Sentirás saudade da lua,a mesma que foi cúmplice dos meus sonhos e fantásias.
Mais não importa,tentarei te esquecer,mais continuarei vivendo de saudade…até que a morte lembre-se sempre demim…
Farei de conta que vc foi uma página a mais do meu diario…
Quando a minha inseparavél companheira,lembrar-se de mim.
Verás uma estrala lá no firmamento,do céu brilhando pela sua felicidade,ao lado de quem você realmente ama.
Carinhosamente:Eu.

Hoje Lembrei-me de Você

Você veio visitar meus pensamentos,
invadiu a minha paz
e fez morada na minha saudade…
Me trouxe de volta um tempo bom,
uma lembrança gostosa de se ter.

Você viveu em minha vida,
numa época em que eu podia chorar
e você estava sempre lá para me abraçar.
Eu não tinha medo, porque sabia
que você sempre chegava para me proteger.
Não temia um fim,
porque você me fazia sentir eternamente amada.
Não sentia ciúmes,
porque na história éramos apenas nós…

Hoje,
lembrei-me do quanto fomos felizes,
e desafiamos tudo em nome do nosso amor.
Desacreditamos em tudo o que nos era apresentado
porque para nós, nada mais era importante
do que viver tudo o que podíamos…

Lembrei-me de como a vida era diferente para nós,
dançávamos ao luar,
éramos duas crianças
a bailar na canção do amor.
Sorríamos com inocência de quem não temia o futuro…

Hoje,
me lembrei de você…

E pude trazer de volta uma emoção necessária
para acalmar meu coração,
só senti coisas boas,
só enxerguei você me amando,
me esqueci da tristeza que tive
quando me disse adeus.

Lembrei-me de você
sorri,
recordei…
Estou feliz
por lembrar de você!!!