O que eu lhe fiz?

O dia termina tarde,mas começa cedo
Às 5 da manhã,sem luz, nos levantamos
Para assim mais um dia repetitivo e maçante
O relógio nos desperta
Talvez de um sonho bom ou ruim
Mas,sem dúvidas,de um descanso necessário
Aquele barulho insistente e provocador toca para ela
Lembrando-a que seu tempo acabou
Aquele som corroi seu corpo de cólera
O relógio não lhe dá aqueles 5 minutinhos merecidos e continuar a martelar sua mente
Num impulso ela pega a marreta
E quebra o tempo
E a ilusão de que o tempo parou, ou melhor, voltou, lhe trazia felicidade e paz

(Maria Belarmino)

Evolução para coisas inúteis

Plantar uma árvore,
ter um filho,
fazer um livro.

deixar semente e oxigénio,
ensinar as novas vidas,
deixar o testemunho ao próximo.

Não sei se fiz um livro mas já escrevi
posso desconfiar que ate já consegui,
vou dando a minha opinião e simpatia.

Quem dá à luz é mãe.
Portanto eu serei o pai.
Importante é alguém seguir os teus passos.

As árvores que planto, no verão dão sombra
mas não tenho a certeza do rumo
que fui dando aos ramos.

Na arquitetura poética do mundo rural
nada mais é importante
que viver ainda melhor
até a árvore morrer imortal
e deixar sempre outra crescer
mas até quando se vamos todos a correr.

(Jose maria fonso)

SINO DA CAPELA

Ouvi o sino da capela a badalar.
Já são seis horas,
Já são seis horas.

Chegou a hora de rezar ave Maria
E também salve rainha
Pra nossa senhora ajudar.

A enfrentar
As barreiras dessa vida,
E agradecer pela guarida
Que oxalá nos dá.

Ouvi o sino da capela a badalar.
Já são seis horas,
Já são seis horas.

Todo dia
Pego bem cedo no batente,
Enfrento um mundo descrente,
Repleto de coisas ruins.

E ganho o pão
Com muita garra e suor,
E não tem nada melhor,
Poder voltar para o lar.

Ouvi o sino da capela a badalar.
Já são seis horas,
Já são seis horas.

Salve rainha,
Mãe de deus, nossa senhora,
Que intercede a toda hora
Por quem no mundo é pecador.

Salve oxalá
Com seu escudo e espada.
Quem me guia pela estrada
É Jesus cristo salvador.

*Marcelo Maya – Edmundo de Souza

Nasce uma poesia

Quando estou triste e quero lavar minhas magoas,
quando sinto um grande aperto no meu coração,
quando estou feliz e repleto de emoção.

É quando algo dentro de mim começa a germinar,
borbulhar como uma nascente no fundo do rio; não posso conter-me,
tudo acontece como um grande turbilhão em meu cérebro,
assim nascem minhas poesias!

Moinho d’água moendo em silêncio mói o que tem de moer,
e a dor dói sem parar.

Quando se ama profundamente,
todos sons que chegam aos ouvidos, e toda imagem que tocam as retinas,
os sentidos ficam mais aguçados e afinados,
tudo em nossa volta nos inspira a pura poesia.

Ah! Este verdadeiro sentimento o AMOR!

Que tem acompanhado aos anjos e alguns da humanidade.

Eliezer Lemos.