Morfologia do tédio

Na vagareza,
O leão não alcança a presa,
Mas vê o rio passar,
E usa a lentidão para se resguardar.

Foge do seu ser,
Do veneno interior.
Assim, não sente prazer
Mas também não sente dor.

Contempla a outra vida,
Mas é correto ser auto infligida?
Se esta que temos nos foi oferecida.

Fugimos de nós,
Observando o rio,
Sem nunca alcançar a sua foz.

(Marco Estrela)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *