Uma linha reta assim margeando sem parar
Um derradeiro esforço para não fugir
Nenhuma lágrima a rolar
nenhum saveiro a pescar
Não há brisa,
céu encoberto, sem luar
nada que possa
saber o que há no ar…
Pé na estrada,
Mochila às costas,
Respiro poeira,
piso na grama
Escapo da lama,
mas em falso
Argila n’alma, sedimenta
Na dor que vivo…
Esconder o que resta com a pá
Chega o vento
e descobre a relva
E a chuva molha..
O sol castiga
A vida foge arredia
E na noite fria
não sabe o que fazer
Meu futuro próximo
solitário “apalpo”,
No medo que sinto do presente
Dos fracassos passados.
Como a corrente que leva água.
Sabe de uma coisa? Tudo é igual,
Passado, presente e futuro,
Na dor que nos faz humanos…
AjAraújo, o poeta humanista, escrito em dezembro de 1975.
