UM DEMÔNIO NA CIDADE DOS ANJOS

Não sei onde estou agora,
Perdido na selva de animais,
No inferno de santidade,
Onde predadores impiedosos estão querendo me devorar.
Absorver tudo de mim,
E jogar-me sem energia num chão frio.

Venha morte, veremos se és forte!
Aguardo-te sentado à mesa.
E sairás de lá ferida sendo minha companheira.
Tu és cheia de absurdos que chamas de glória.
E um dia te disseram que eras parte da história.
E acreditaste estúpida meretriz.

Morte! Quando fores, não serei mais,
Mas enquanto eu estou tu e que ficas na estação, porto ou cais.
Aguardando o primeiro trem, iate ou navio onde possas depositar sua foice.
Podre, repleta de ignomínias e perversão.

Foi-se tarde, foi-se embora,
Não bata em minha porta,
Ou mando ao teu encontro meus animais.
Todas as hienas, todos meus chacais,
Implacáveis na arte de combater,
E ansiosos o momento de vencer-te.

Caia diante de mim! Sofra, pois quero vê-la assim.
Sua glória perdeu-se no caminho.
E agora irá seguir ansiosa por toda a estrada
E verás que não és tão aguardada
Odiada sim, e amaldiçoada também.
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O VERDADEIRO ODISSEU

Ela está na esquina,
O destino nem ao menos lhe pertence.
Mira o infinito num desprazer absoluto.
Traz para si a indiferença de olhos que não se aproximam.
E quando o frio chegar?
Fará ela de seu colchão o aconchego nas noites invernais?

Nada lhe pertence!
O direito há muito lhe foi tomado,
Ou, trocado por algo para lhe amenizar a turbulência que rugia em seu interior.
Ela tampouco é senhora do próprio destino,
Que reluta por ter que chegar,
E contemplar a pobre mulher,
Que deixou há muito de ser donzela,
Pois nem ao menos o seu sexo lhe pertence.

É um desencontro constante,
É uma ferida aberta,
Por onde ela passará amanhã?
E que favores terá de realizar?
Somente para dar prosseguimento ao que nós chamamos de vida,
Mas que para ela é uma viagem homérica.
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AQUI JAZ (TALVEZ ETERNAMENTE)

Não estou mais interessado em lágrimas,
O amor é algo desonesto e desumano
E a saudade é uma mágoa que já teve mais importância,
Mas hoje passa solitária.
O machado corta a madeira que lhe concede o cabo.
E essa dor não quero mais.
E eu que acreditei poder mudar o passado!
Mas a foice cortou os últimos sândalos perfumados.
E a dor é pela escravidão.
E a dor do descaso que não fez caso de desaparecer.
E agora chegará o dia que seu nome não será lembrado.
E olha que lutamos contra as grades! Lutamos contra o desalento!
E lutamos para que a vida mantivesse a sua compaixão.
Mas a vida nada pode fazer, a não ser respeitar a escolha do destino,
Que num desatino duradouro foi escolhido.
Como ela fez um estrago!
Ainda bem que o sol que nunca brilhou é que deixou o dia.
Sempre acreditei que ele brilharia,
Mas o que ontem foi estrela, hoje pode estar gelado numa lavanderia.
Incontestável e Mórbida Lavanderia!
Mas a lua brilha forte, e ela deve eternizar a noite, que de tão intensa sempre substituiu o dia.
E o vidro quebrou o espelho;
Que sempre foi fosco, mas que eu acreditei poder um dia refletir.
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ESCUDO E LANÇA

Dor, sofrimento, lágrimas e tristeza,
Devem ser boas palavras,
Tentam expressar o que sentimos.
A face desfigurada pelo rio que rompeu os olhos.
Mas não chore!
O doce somente é doce porque podemos compará-lo ao amargo,
O sim somente é sim porque contraria o não,
O dia só é aguardado porque existe a noite
A presença somente é valorizada pela ausência
O pecado só tem sabor por causa da inocência,
O errado só é bom porque existe o certo
O céu somente é almejado pelo conhecimento do inferno
A dor é o antídoto básico do amor,
E o espinho é o retrato puro da flor,
O sangrar é a essência da cura,
E a roupa deixa mais bela e intensa a imagem nua,
E o sorriso é a vitória dos contentes que antes de sorrirem lubrificaram sua alma com a mais bela das letras musicais expressas na forma de uma lágrima a escorrer pela face.
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PÁGINAS DO INFERNO

Nós estamos morrendo por causa da aversão,
Acham que no caminho estamos sem perdão.
As vezes choro e começo a correr,
Procuro outros braços, só encontro você.

O castelo está vazio, a princesa se foi.
A areia da parede está pelo chão.
O meu mundo deserto dividiu-se em dois.
Sinto a indiferença habitando no porão.
Subindo depressa tomando toda a casa,
Parece não ser a voz de um ser humano que fala.

Vem, vamos brincar!
Que no mundo só me resta esperar.
Vamos pra escola, eu quero estudar.
Vou jogar bola para poder sonhar outra vez.
E no intervalo eu quero pegar meu lanche e dividir.
Eu só quero que o tempo seja meu amigo.
Não vou brigar, pois sei que dele pouco me resta.

O descaso machuca,
A estupidez é que aponta,
O sangue vai jorrar para onde ninguém irá querer.
É um soldado em pé de guerra, querendo ir para casa,
Mas a morte o espera na trincheira que a vida preparou
Não vou querer misericórdia,
Quero somente viver em paz.

REVIVER

Estou sentindo dor,
E junto com a dor vem o desejo de não senti-la,
Até pensei que fosse um herói, mas as forças acabaram,
Há menos de um dia eles se foram e me deixaram para trás

Se eu deitasse poderia ver o além
Mas continuaria a perceber o que me incomoda,
É o espinho de minha carne,
E uma ânsia desmedida de ter os sentidos dormentes.

Não sei se o dia vai acabar logo,
Enquanto o sol estiver alto não saberei o onde estou.
Alguém imagina onde deixei meu sorriso?
Vou procurá-lo, apenas para saber que ele não é!

Você gostaria de vir comigo? Venha, que por mais dor que eu sinto
Meu coração está aberto para amá-la. Eu sei que o inverno acaba.
Venha! Vamos aproveitar o tempo e não perderemos tempo.
Meu coração está doendo de vontade de amar você outra vez.