DOCE SONHO

Quando vi você, meu coração se abriu,
Permitiu que eu traçasse novos planos,
A olhei como única.
Senti como se pudesse tocar o céu, e acho que poderia,
As luzes ficaram sem brilho, no instante que lhe direcionei os olhos.

Meu desejo era que fosse real,
Pois todos os instantes pareciam uma ilusão,
Me dei conta de que não eram,
Mas os sentimentos internos demonstram isso,
És bela demais.

Parece mágica, parece música,
Que ecoa e permitem que suas notas marquem,
Como eu queria que o céu nos envolvesse,
Criasse uma atmosfera de sonhos, para que o sentimento fosse mútuo,
E permitisse uma aproximação,
Para que as palavras penas ditas,
Se transformassem e m história vivida.
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A DUE

Nós saímos numa noite em que a lua negava-se aparecer,
Fustigada pelo brilho de uma viagem que abandona a razão.
Corremos pela rua, que toda escura parecia nos esconder.
Escondia-nos das pessoas, dos palpites, e da figura do amanhecer.

A história foi mais ou menos assim,
Quis mandar você pra longe, e você voltou pra mim.
Não importa se pensando nos anos 60 ou nas cruzadas cristãs,
No apego imediato, nas amigas de almas irmãs,

Tudo é tão imediato, tudo é tão real,
Foge de um simples pensamento num momento sem igual.
Desperta o sentimento de um dormente sonhador,
Preso nas falhas da vida, contada por um historiador.

Lembro das noites e das manhãs,
Dos dias que lamentavelmente passaram rápido demais.
Como uma despedida angustiada de um tempo que não volta atrás.
Mas não impede de lembrar, de viajar e de sonhar,
E cada lembrança, cada recordação trará em si uma forma de reviver.

Saímos com passos firmes de quem diz a si e ao outro não,
Acertamos os ponteiros, as horas, o pedido da emoção.
Eu pensei no sonho bom que a noite foi.
Mas o sol trazia consigo imagens que não se perderão
O tempo nem sempre nos ajuda, nem sempre é bom,
Mas cada minuto hoje, é a memória de que nenhum desses instantes foi em vão.
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NOBRE SERVO

Quando tudo passa, eu vou me sentar,
Elevar meus pensamentos a um céu,sem nuvens,
mas onde o sol há muito deixou de brilhar.

Admiro e vejo tudo o que fui: Menino, adolescente e homem.
Mas esse tudo não parece ser completo,
E eu pareço não obedecer à ordem, se é que existe alguma.

Não sei por quanto tempo ainda estarei aqui,
E não sei quais lembranças deixarei.
Se ao menos estivesse certo sobre a eternidade de meu nome!

Posso virar poeira carregada pelo vento ou uma pedra de gelo derretida pelo sol.
Sou caminhante solitário nessas ruas sem destino,
Sou homem atento com olhar profundo de menino,

Tento me encontrar e me perco outra vez,
E ao passo dessa brincadeira insana foi que meu futuro se fez.
Ainda que tentasse algo novo, não sei se teria pernas para galgar.
Perdi minha montaria no início do livro,
E continuei por todas as páginas como um escudeiro sem lar,
Com riquezas de espírito, mas sem nome para ser reconhecido.

Mas as páginas finais são apenas para cavaleiros,
E tive de parar minha façanha, minha luta pela vida onde se ama.
Então fui investido, sou um vassalo leal,
Porém estou distante de meus suseranos e eles nada podem me dar.

Agora corro louco e desenfreado pelas encostas tépidas de um rio alado,
Que despeja sobre mim suas gotas nobres.
E ao sentir minha roupa úmida, percebo também que estou cansado.
Cansado de correr na direção contrária e sempre chegar à sensação de onde saí.

Se há vitória eu não sei!
Sei que há somente um fadigado guerreiro sentado na campina,
sem sua armadura, sem sua espada, sem a bravura, que há muito foi abandonada.
E na boca um amargo sabor do que um dia foi doce mel
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MATA-ME DE AMOR

Eu vejo uma cor que me encanta em deleite paixão.
É o tom da ternura, coberto com a fúria seca da ilusão
Num corpo novo, de pele dourada e cabelos lisos.
Ainda consigo sentir o ar soturno me despindo do juízo.

Suas mãos livres tocaram apenas o que eu pude notar.
Sua boca rosa, se fez colorida, em cores que quero imaginar,
Mas não posso me deitar, sem antes dar adeus ao sonho
De uma falsa vertigem dentro da altura infinita que proponho.

Saltar, parece loucura. Pode até ser intenso, mas é louco.
Resta-me gritar à pele crua. Grito vazio a plenos pulmões, rouco.
Despi-la ainda quero, mesmo que seja apenas para ver,
Um olhar sincero, que surge mesmo quando erro, perto de você.

Quero ver a marca que o açúcar deixou em curvas.
Um doce encanto, mostrado branco, em meio a pele turva.
Suaviza a força, que explodiu em mantras sagrados,
Eterniza a escada, na busca da rota do céu estrelado.

E as alegorias de uma febre em pele de sabor,
Me dizem o quanto meu corpo ainda precisa de calor.
Eu posso nas passagens de uma paisagem sem lar
Buscar o balde, achar o poço, desenrolar a corda para sua sede matar.

PÊNDULO

Olha o só coração, vê o seu relógio,
Mas não sabe que horas são.
Veja ainda suas veias, entradas abertas,
Uma viagem incerta, paredes feitas de ilusão.

Bate com o toque forte dos ponteiros,
Sente ainda ressaltar o seu tambor,
Não entende se vive apenas passageiro,
Ou se perdeu a linha, a isca pescador.

Aprende que o sangue por ele já passou,
Uma vez ou mais, já não sabe precisar,
Ainda que a si mesmo delegou,
Asas de passarinho sem saber voar.

Voou longe e solitário meu pequeno,
Não tive força ou vontade de impedir,
Tomou chuva, vento forte e sereno,
Viu o sol e não pode mais partir.

Voa alto coração de passarinho
Traga uma rosa para ver se bem me quer,
Não tenho medo de dormir aqui sozinho
Tenho ao meu lado o aconchego de mulher.

Alguém que bateu asas num instante e chegou
Mulher de um nome limpo, puro que não é vão,
Flores de pétalas com o cheiro de quem casou,
Isabel, mulher e esposa me diga que horas são.

O MERCADOR

Compre-me e me guarde como escravo,
Tu és cravo, tu és rosa,
Tu és verso, tu és prosa,
Para que deitares assim?
Esqueça-te do medo e venhas mais perto de mim.
Quando tudo acabar, somente um anjo te dará a mão,
Talvez um anjo triste que não merecerá sorriso nem atenção.
Mas de qualquer maneira, serás sempre uma poesia,
Tenra e pura, de águas infinitas e brilho intenso.
Tu és um afresco onde se pintam as sublimes renascenças,
Tu és o perfume sentido e guardado à sombra dos parreirais,
E quanto mais penso, menos razão me dou.
Não sei o que me toma, não sei o que me come,
Não sei o que resta e nem o que me consome,
Mas sei que alguma coisa não está correta.
Tu fizeste o mal virar bem!
Tu fizeste da morte algo real!
Tu mataste comigo, e juntos vimos o mundo brilhar.
Estás entorpecendo-me a cada dia,
Estás envolvendo-me em tuas redes vazias,
E não há mais nada que eu possa fazer.