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Assombração camarada: Noraldino

Data Postagem 08/02/2012, Autoria: Noraldino

No tempo que eu namorava
não tinha lonjura pra mim
nenhum perigo me amendrontava
eu ia inté pra lá dos confim.

Andava pelas estradas afora
amassava barro ou levantava puera
sofrimento danado quando a gente namora
os apuro que passei não foi brincadera

Dispois do corguim pra lá da curva da estrada
na sombra gostosa dum pé de ingá
na bera do barrranco tinha uma cruiz infincada
lembrança de alguém que morreu no lugá

Toda veis que eu voltava do namoro
quando me lembro chego inté arrepiá
escuitava um gemido e dispois um choro
naquela hora corria mais que um preá.

Minha butina amarela rangedera
fazia bolha d,água nos carcanhá
aquela assombração me dava a maior cansera
mais memo ansim eu passava por lá.

Dismancha o namoro com a Esmeralda
nem de brincadera eu queria pensá
memo com ajuda do meu anjo da guarda
aquela assombração não parava de me assombrá.

Já tava cansado de tanto corrê
quando passava naquela curva da estrada
certo dia perdi o medo e resolvi sabê
porque chorava aquela alma penada.

A alma chorona então me arrespondeu
essa dor que me maltrata é bem antiga
uma diarréia das braba que me deu
as folhas que usei era dum pé de urtiga.

Sinto o fogo cruel das queimadura
que me esfola num doloroso sapecá
preciso dum remédio para minha cura
eu sofro tanto que nem posso sentá.

Então resolvi dá uma ajuda pra coitada
arrumei folha de inhame,bastante algodão
mingau de maisena em forma de pomada
num pedaço de papel ecrevi uma oração.

A pobre alma ficõ mais aliviada
acabô pra sempre aquele sofrimento
ficô brincalhona queria inté sê convidada
pra festança do meu casamento.

Sai,alma assanhada!

o cabôclo poéta Nhô Noraldino;

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