"Assombração " (Literatura de cordel)
Data Postagem 19/10/2011, Autoria: Teobaldo Magela FrançaI
Moço! Me presta atenção.
Pois eu digo que neste lugar,
Ninguém viu coisa igual
Sinto meu corpo arrepiar
E Quando me lembro daquilo,
Sinto o sangue congelar.
II
No ponto da avenida cinco
Bem pertinho da Unigal.
Veio a moça me assuntar
Com um corpo artesanal,
Vestida como manequim
Bem provocante e fatal...
III
Bonita que jamais eu vi,
Pedindo uma informação:
- Quantas horas? Por favor.
Disse com educação.
Eu já todo abestalhado.
- Mais de dez horas não são.
IV
- Será que vai demorar?
Ela estava perguntando,
Eu disse que não sabia,
No que ela estava pensando
- Quero saber da lotação.
Disse ela completando.
V
-Deve passar rapidinho.
Afirmei com incerteza,
E continuei a conversa
Querendo com esperteza,
Jogar na menina a prosa
E ganhá-la com presteza.
VI
Ela logo entrou na minha,
Eu fiquei todo aprumado,
Ela rindo divertida
E eu todo excitado,
Já imaginava eu e a guria
Abraçadinhos deitados.
VII
Cada vez mais animado
Enquanto o tempo passava
Já namorava a garota
Na mente maliciosa
Pensava pra onde levar
Aquela mocinha gostosa
VIII
Percebendo o assanhamento,
Que não consegui despistar
Acendeu mais o meu fogo,
Quando a ouvi murmurar
Estou me sentindo carente,
Vamos lá em casa brincar.
IX
Chegou bem perto de mim,
Sussurrou no meu ouvido:
- Vou te matar de prazer
Para sempre ficará comigo,
Ficaremos abraçadinhos
Lá dentro do meu jazigo
X
Estava tão admirado
Que nem prestei atenção.
Cheguei pertinho dela
E puxei a sua mão
Lasquei um beijo de língua
Molhadinho de paixão...
XI
Naquele beijo tarado
Um bafo medonho senti,
Fiquei com náuseas e,
depressa os olhos abri
E aí vi na minha frente
Um horroroso zumbi.
XII
Moço! O rosto lindo que
antes me encantava,
numa horrenda caveira
agora se transformava,
e paralisado de medo
Ali tremendo ficava...
XIII
O frio que eu sentia,
até na minh’alma doía,
E aquela pintura de horror,
De podre tudo fedia,
Com a boca enrugada,
Num esgar de bruxa sorria.
XIV
Enfim chegou a lotação,
No auge da minha agonia,
Desesperado eu gritava,
Mas a porta não abria
Então corri desembestado,
Pra chegar na portaria.
XV
Hoje, moço! Nem por ouro,
Te juro, não faço serão,
Garota sozinha a noite
Nem chego perto mais não,
Me lembro da linda mocinha,
Que virou assombração!!!!!





Comentários para “"Assombração " (Literatura de cordel)”
Por rose em 07/11/2011
aparencia engana...rsrsPor Oliveira do Cordel em 20/10/2011
Pecou na métrica.