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Visita Noturna

Data Postagem 02/02/2012, Autoria: Victor Medeiros

Há muito não me visitava. Naquela noite, vi-a reluzente na janela. Levantei-me e segui em sua direção. "Onde estiveste?", perguntei ansioso pela resposta, "aqui, em tua companhia!" respondeu-me, surpresa, como se a obviedade das palavras intencionasse chocar-me.


Coloquei meus cotovelos no parapeito e admirei-a por alguns segundos. A visão da negra noite, cosida por pontos brilhantes, fazendo plano de fundo para aquela aparição misteriosa e bem-vinda convidou-me a sorrir. Completaríamos aniversário dali a dois dias. Uma data nada especial, pois se tratava do marco zero de seu primeiro sumiço.

Fitando-me, mudo, decidiu indagar o motivo de meu silêncio. Sorri timidamente. A emoção de não saber distinguir se aquele resplandecer era real ou não enchia meus olhos de lágrimas. Passou as mãos por meu rosto e pude sentir toques de misericórdia e afeto no ato. Abafei um soluço, fui recompensado por um abraço.

Por meio de sussurros, instruiu-me a nada temer. "Tudo é efêmero", disse-me com tom materno. E dançou a fim de alegrar-me, embalada por canções de ninar clássicas e infalíveis. Meus olhos pesaram de sono. Carregado em seus braços, voltei ao meu leito, desnorteado e sentindo-me seguro.

Ela voltou para a janela. Acenou docemente. No horizonte, os primeiros raios solares invadiam a cidade, transcendendo a noite e anunciando uma nova manhã. Pouco a pouco vi-a dissipar-se, fechando seus olhos docemente. Um semblante de tranquilidade evidenciou-se e todo o seu ser parecia me paz.

Este foi o último episódio. Jamais repetiu-se. Após este, só o que vi foi os dias passarem-se um a um e a vida adulta começar. Não sei bem se sinto saudade de tudo o que aconteceu. Posso garantir que sinto-me grato. Muitas outras noites esperei, até a alvorada por um retorno, mas hoje sei que quanto mais o tempo passava, mais distante ficavam aqueles doces momentos.

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