O Trem das Nove e Quarenta e Cinco
Data Postagem 21/10/2011, Autoria: Victor MedeirosNove e quarenta e cinco da noite, acabo de pegar o trem e já estou próximo à Estação Lapa. Meia hora antes estava saindo do trabalho e, como já é de costume, entrando no metrô quase que exatamente nove e dezessete da noite.
Chegando na Lapa uma interessante figura entra na condução e senta-se no assento próximo à janela. Era um homem de mais ou menos quarenta e cinco anos, aspecto sorridente, barba por fazer e demasiado exagero para com a proteção contra o frio.
Observei-o por alguns segundos pois, como dito anteriormente, o mesmo estava próximo à janela e como dentro de trens em geral nada é interessante exceto as luzes da cidade a brilhar no cair da noite meus olhos acabaram por cruzar a aura do passageiro.
De repente, o telefone celular dele toca e ele atende com um feliz “Alô!”. A conversa prossegue com risos e cumprimentos. O homem parece estar em êxtase por estar falando com o interlocutor e por referir-se a pessoa usando artigos femininos deduzi ser uma mulher.
A conversa tem continuidade e o mesmo sorri ao fazer votos positivos. Menciona alugar um quarto de hotel para ambos passarem o feriado juntos tendo um dia repleto de brincadeiras e felicidades. O homem usa frases de sofisticado bom humor somadas à uma interessante visão fantasiosa do que parecia ser a promessa de um dia perfeito. Fala de passarem cada segundo juntos. O homem pergunta sobre a mãe da pessoa em questão e sorrindo diz para “sua futura sogra a esperar pois logo, logo a veria linda e contente em um altar, com um lindo vestido branco, maquiagem perfeita e sonhos realizados".
Estamos chegando em Imperatriz Leopoldina. O homem jura amor eterno e total dedicação à mulher que ele diz ser “fruto de seu mais belo sonho”. Segundos depois ele diz: "Tá bem, minha princesa! Também te amo! Tchau!” e desliga o telefone,
Poucos segundo se passam. O homem começa a chorar estranhamente ... chora como se uma dor horrível o violentasse por dentro, como se um adulto cruel terminasse por negar um delicioso doce a uma criança. Aparenta um estranho remorso inexplicável enquanto mexe em qualquer menu do celular que segura com uma das mãos.
De repente, com lágrimas nos olhos, seu olhar cruza o meu. Ele me observa por mais ou menos um minuto. A expressão triste se foi e agora seu semblante é o de um homem que suplica misericórdia como um covarde que pede mais alguns segundos de vida ao seu algoz.
Chega Imperatriz Leopoldina e o homem se levanta e sai. Seus olhos agora fitam seu sombrio e misterioso caminho.
Mais duas estações e estou em casa ... Quem era aquele homem? O que o perturbava? Todas estas perguntas jamais serão respondidas por um breve olhar ...





Comentários para “O Trem das Nove e Quarenta e Cinco”
Por mari em 21/10/2011
talvez naquela hora, ele nao precisasse de palavras, apenas o olhar jah bastava,pois mesmo sem kerer tu participou com a tua energia, em lhe dar calor, embora nao a veja, mas te circunda e nesse lampejo sai a calma profunda, foi aih k ele lhe agradeceu pela força, do mesmo jeito k tu permaneceu intacto naquele instante.