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Maratona dos Ofegantes

Data Postagem 08/12/2011, Autoria: Odair Rizzo


MARATONA DOS OFEGANTES

- Preciso falar, com você!
- Agora não dá, tenho algo mais urgente!

- Tenho que lhe solicitar um favor, meu amigo!
- Não tenho tempo, meu querido, (?)
Deixe para outra data mais conveniente!

- Necessito demais contatar sua pessoa!
- Ah! Não insista, ilustre (?) cidadão!
Até a vista, vá, siga adiante,
Pois, sua espera será em vão,
Ineficaz, inútil, à-toa,
Pois, o auxílio me é um desinteressante ato
Sem - e de – graça,
E de antemão, o que quero mesmo
É embolsar uma grana boa,
Para que eu consiga usufruir de um reino!


E é assim
Que os interlocutores vão se distanciando.
Que os diálogos, as prosas, as conversas,
Breves e às pressas;
Esporádicas e almejando-se logo ter fim;
Vão se rareando.
E, eis que, no corre-corre da vida;
Na intensa disparada cotidiana dos seres humanos;
No ideal desenfreado da consolidação dos desejos;
De se concretizarem os ensejos, os planos,
Participa-se de uma maratona concorrida
Na qual, ofegantes, exaustos,
Cada tal integrante, entediado e perseverante,
Com expressão fechada e olhares para o nada,
Quer chegar onde mais se quer
E se puder:
À frente, na dianteira e o quanto antes.


Daqui prá lá
E de lá prá cá,
A tensão faz subir a pressão
E o duelo da correria
Faz a batalha ser gigantesca.
No trânsito brigado, acirrado,
Espreme-se no dilema dos congestionamentos,
Sobrando insultos e xingamentos,
Além do terrível e maçante soar das buzinas
- Com todos alegando suas razões,
De se querer estar à frente ou por cima -
E, com o temperamento exaltado,
Já não se agüenta mais tantas discussões,
As colisões, as intrigas, os palavrões;
O desembestar das desengavetadas encrencas.


Meus caros, mas está bem claro:
Pise no freio, desacelere, diminua a marcha,
Pois, no disputado GP da Existência,
Entre tanto azar ou tamanha sorte,
Receber a bandeira quadriculada;
Ultrapassar a linha da chegada;
- Bater o recorde, quebrar a marca -,
É despedir-se! É dar adeus ao convívio!
É ir vivo e, sem dar ouvidos,
Ao inevitável encontro com a Morte!


Ora! Ora! Ora!
Menos... Muito menos,
Dessa volúpia que assusta e se avulta.
Que se recolhe tão tarde
E muito cedo desperta,
Porque desse jeito, dessa feita,
Tal qual o velocista que se sai bastante enfermo,
Acabar-se-á por ser levado ao campo santo
Quando, ainda, se almeja
Ficar apenas – mas, que pena! –
Só um pouco mais, nem que seja,
Na atribulação universal do globalizado terreno.


Alto lá, volúpia infame!
Estacione, prepare-se e desça!
Ponha-se, conivente, à disposição
E cale-se já, emudeça, não reclame,
Para que se lhe dê a chance extrema,
De receber atenuante luz eficiente
Que a torne emotiva, obediente,
Calma, passiva, serena.


... É! Mas, é triste retomar a realidade,
Pois, desiludido, acabo de me levantar,
Após ter com as cenas de um sonho aflito.
... Na verdade, eu me exaltei em demasia
E, no final de tudo,
Apregôo a indelicada certeza:
De que o (des) encanto se fez de surdo,
Visto que tais coisas prosseguirão iguais
E a me deixar desalento, cabisbaixo,
Num palco em que o espetáculo foi ridículo.

Enfim, o que me resta?
Que, infelizmente, fracassei, perdi o jogo.
Já que apanhei a veloz exorbitante pelo rabo
Contudo, escorregadia, astuta, esperta,
Ela é fogo, é do contra;
Do que se quer é o invés,
E rebelada, rebelde, deu no cabo
Por eu tentar lhe pegar e pregar uma peça,
Se bem que se sabe
Que deixar de se impor, não é alvo de seu agrado.
Que jamais acatará o revés
De trocar os clamores da modernidade
Pela paz que quase não se tem mais.
Odair Rizzo

* Poema inédito e com ênfase de
auto-ajuda do escritor catanduvense.

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