DÉCIMAS AVULSAS
Data Postagem 10/11/2011, Autoria: Carlos AlêEsses versos que estou escrevendo
num estilo medido e rimado
são vagões de sentido figurado
de um trem de poesia se movendo
E as rimas que você está lendo
são paradas em uma estação
O bilhete da interpretação
você paga pra ser um passageiro
da viagem que faz nesse roteiro
pelos trilhos da imaginação
Nesse mundo eu já tinha observado
que a maldade costuma triunfar
e aquele que passa a praticar
a bondade é sempre castigado
E buscar na maldade resultado
essa foi a mancada que eu dei
Quando soube o mundo que errei
num instante o castigo me enviou
Só pra mim é que ele funcionou
Quis dar uma de esperto e me ferrei
Se agora eu ganhasse uma rede
eu buscava um livro para ler
Uma água de coco pra beber
e um gancho fixado na parede
Com a água eu matava minha sede
com o livro aprendia uma lição
Com o pé eu daria um empurrão
para ver se a rede balançava
e com esse balanço que ela dava
eu dormia com meu livro na mão
Se a mulher que me ama possuir
uma herança enorme pra gastar
e meu preço vier me perguntar
seu dinheiro não vai me seduzir
Eu só tenho apenas que sentir
que seu beijo e abraço tem calor
não me dando motivos pra supor
que o interesse é apenas passageiro
Eu não tenho amor pelo dinheiro
e dinheiro não compra meu amor
Cada um tem na sua própria história
um momento que foi de plenitude
Foi a fase que eu tinha juventude
a mais bela da minha trajetória
O que tenho guardado na memória
desse tempo é só felicidade
Porque o tempo da nossa mocidade
é o melhor pra ficar rememorando
Pelos trilhos da vida deslizando
Sou um trem carregado de saudade
Definir a beleza da mulher
é querer limitar o infinito
e nem mesmo o verso mais bonito
poderia cumprir esse mister
Hoje sei que o poeta o que mais quer
é compor para ela um doce hino
porque ser nossa musa é seu destino
cada dia, semana, mês e ano
E é por isso que afirmo sem engano
que sou fã do semblante feminino
Meu pomar, minha horta e meu jardim
quando lembro me ponho a chorar
Vim pra cá sem vontade de ficar
Voltarei lastimando porque vim
É por isso que estou sempre assim
com saudade apertando o coração
Eu só quero voltar para meu chão
donde fui sem apelo desterrado
Fui menino do mato e fui criado
nos rincões esquisitos do sertão
Poesia em sentido figurado
é um fruto da imaginação
Seu sabor é a interpretação
Sua polpa é o verso inspirado
O pomar onde ele é cultivado
é o grande pomar da estesia
Nesse fruto o leitor se delicia
com a casca, o gomo e a semente
O bagaço é cuspido e somente
a essência do fruto nos sacia





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