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Alegoria da Ilusão e Coração Partido

Data Postagem 11/01/2011, Autoria: Victor Medeiros


Um pássaro raro e em extinção voava solenemente pelos céus, quando em determinado momento, avista em meio às residências um lindo galho.

Pousou no galho avistado e observou ao seu redor e notou que as árvores do parque em que se encontrava tinham uma característica em comum: todas tinham galhos fortes e resistentes.

Aquela árvore, porém, embora de galhos frágeis, era a mais bonita de todo o local. O pássaro não conteve seu entusiasmo e decidiu que ali seria o local mais propício para construção de seu ninho, onde residiria até o fim de seus dias.

Pouco a pouco tentou edificar sua moradia: trazia, de muito longe, pequenos gravetos a fim de arrumá-los da forma mais confortável. Pelo formato nada propício do galho em questão, todo o esforço logo se mostrava inútil e desabava, forçando a pobre ave a começar novamente, novamente e novamente.

Aos poucos foi percebendo que enquanto não reforçasse a delicada extensão da bela árvore, nada conseguiria. Decidiu então reforçá-la no intuito de, quando a tornar bem forte, poder finalmente ter sua morada em retorno e criar ali suas raízes.

De tudo tentou para reforçar seu autoproclamado espaço. Sentiu-se inerte ao perceber que seus esforços em nada mudavam a realidade. Tentou o que pôde até perceber que nada surtia efeito.

Revoltado e sentindo-se injustiçado, atirou-se com toda a força que tinha em direção ao seu sonho irrealizável, danificando-o e separando-o da frutífera árvore em que se encontrava.

Com o impacto, quebrou uma de suas asas e foi ao chão, caindo ao lado de sua desilusão. Machucado, ali ficou a observar o galho morrer aos poucos, longe da beleza que o incentivou a fazer dele seu.

Depois de horas de dor, percebeu que um dia teria de levantar e voar mais além, à procura de outros galhos na natureza ou poderia desistir e morrer ao lado do resultado de seu ato impensado, que outrora fora seu mais belo desejo.

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