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A Passarela

Data Postagem 03/12/2011, Autoria: Victor Medeiros

Entre o Centro e a estação de trem havia uma passarela a qual diversas pessoas passavam diariamente, a princípio para proteção, pois a mesma estruturava uma ponte sobre os trilhos. Mas em uma segunda análise, constatava-se o fato de que a quantidade de excluídos que ali residiam e sua necessidade de determinados vícios tornavam a segurança primeira numa sentença ao perigo.

Subia os degraus a mãe e duas filhas. Ela estava furiosa por um motivo que confesso não saber. Arrisco culpar a rotina urbana e a constante pressa das pessoas. Ao atravessar, centrou os olhos como num cabresto para não encarar nenhum dos vadios.

Descidas as escadas, alguns passos depois, nota que somente a menina mais velha a acompanhava e que a mais nova sumira de repente, Olha para trás e a vê, fitando os degraus, parada e perplexa. Furiosamente grita seu nome e não obtêm resposta. A garota não se move como se algo a prendesse ali.

Neste momento, achando que a criança a desafiava com pirraça, a mãe começa a assustar ameaçadoramente a pequena, convictamente afirmando que a deixaria ali. Retomou seu caminho. Ela começa a chorar, olhando para a mãe, como se pedisse urgentemente o socorro dela.

Milésimos após detectar o choro, a mãe volta com o triplo da impaciência e pega-a pela mão. Puxa-a bruscamente, praticamente arrastando a menina, fazendo tenebrosos votos de como aquela vergonha não seria esquecida e que ela logo se arrependeria do desaforo.

Subo os degraus. No topo, um senhor de idade, muitíssimo bem vestido e barbeado, sentado em uma cadeira de rodas, bem mais perplexo do que a menina outrora estava, com um semblante triste segurava uma boneca em suas mãos. Agora gritava, a fim de chamar a atenção daquela mãe que não notara o brinquedo que a filha, sem culpa, deixara para trás.

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