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Como Num Deslumbramento
Quando um sonho
jamais ousado
se faz realidade;
Quando no ardor de viver
o sonho se faz vida;
Quando a realidade
faz com que
nela eu não creia;
Quando o momento
embriaga, entontece
e me põe louca,
e no afã de vivê-lo
não ouso acreditar nele.
Quando por mais beijos
que se dê
a boca insaciável
não se cansa,
como se fosse
um sonho inatingível;
Quando a vida
se escreve além da fantasia
e me inebria
e se faz de repente
maior que o próprio sonho
e me deixa aturdida,
atônita, parada no momento;
Quando por mais que se viva
não se crê viver
por ser por demais vivido
e por inteiro vivê-lo;
Quando na gana de agarrá-lo
ele se torna enorme
e incabível e imensurável;
Quando não posso acreditar
em meus olhos,
em minhas mãos,
em meu corpo,
em minha pele
que arde de desejo;
Quando o coração
estoura de felicidade
e arrebenta e dilacera
de alegria,
a palavra se torna
pequena, vazia e oca
e não se pode definir a realidade
sem desmerecê-la,
não se pode abrangê-la,
verbolizar tal sentimento
sem esvaziá-lo e empobrece-lo
e fazer de algo tão belo
alguma coisa
de vulgar e corriqueiro.
Por isso não consigo defini-lo,
só me resta
vivê-lo intensamente
sem tentar compreendê-lo
como num deslumbramento.
Autoria: Saryta
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