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Menina
A vida que passa
é tão sem graça
tão opaca, tão cinzenta.
Me olho no espelho
não me vejo,
nem me olho,
deixei de ser eu.
Era, em algum tempo,
uma menina bonita
jeitosa, cheia de viço,
pela rua me olhavam
me admiravam,
e arriscavam um oi.
Nas festas era fada,
vestida com muito gosto
parecia gente bem!
Quando dançava em uma festa,
todos queriam,
todos pediam
repetir outra vez.
Quando falava,
havia quem escutava
parecia até alguém.
O tempo passa, passa,
com ele o corpo desgasta
os olhos perdem o brilho,
tudo muda, tudo vai.
Deixando marcas no rosto
deixando falhas nos gostos
vacilando a mente
tremendo as mãos.
tudo muda, tudo transforma.
Ah! Se eu pudesse
arriscar um palpite
e pedir que a vida ficasse
e o tempo não passasse
e eu continuasse a ser eu.
Aquela mesma menina
graciosa, cheia de dengos,
fazendo xamego em seus dedos
brincando de amor gostoso,
e te conquistasse outra vez.
Autoria: Saryta
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