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Asas Atadas
Ter asas atadas sem poder voar,
sem poder cortar as nuvens,
sem sentir mais de perto
o calor do sol
não sentir o vento
bater na face,
sem sentir a liberdade
de ir ou ficar,
de falar ou calar,
de querer e amar.
Ter asas atadas para
o vôo livre da vida
sem depender do tempo
se é ou não chegada a
hora de partir ou ficar.
Partir para onde?
para um lugar bem longe,
estranho e mudo,
silencioso e frio que até dá medo,
onde tudo é solidão,
onde tudo ainda está no sonho.
Ter asas atadas para pensar
no amanhã, sonhar com o amanhecer,
ver o sol se pôr atrás
do monte, sentir o que passou,
viver o presente
sem pensar que muito
amou e que deu seu
coração a quem o jogou fora,
o pisoteou e deixou-o no chão,
para quem quisesse apanhá-lo.
Já é tempo de soltar as asas
atravessar as nuvens,
sentir mais de perto o calor do sol,
cortar os ares junto com
as andorinhas ter a escolha de ir
ou ficar seja para onde for.
Soltar as asas,
ter a liberdade de amar e ser
amada, de conquistar o espaço,
de voar pelo infinito sem
pressa de pousar,
de querer ser o que é e não
o que querem que seja,
de falar ou calar sem se
importar com o tempo,
de recolher o coração jogado fora,
colocá-lo de novo no peito e
deixá-lo arrebentar contra o
vento, contra barreiras e
saber dizer-lhe com
ternura que deve ser forte
como asas soltas
que não deve sofrer,
não deve se abater
apenas por uma saudade,uma
grande saudade que ficou!
Autoria: Saryta
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