|
Aqui e Ali
Casa bonita, móveis finos, tapetes coloridos,
cortinas transparentes.
É mesmo um palacete!
Quantos e quantos desejariam um lugar assim.
Conforto, dinheiro, luxo e posição.
De manhã, o apitar do padeiro,
as horas batendo no relógio da igreja.
Um corre, outro apressa,
outro grita,
parece um burburinho.
Saem todos porque já se faz tarde.
Só o robot continua no castelo
a prepará-lo para os que voltam,
e como voltam!
-Como é, o dinheiro deu?
Sobrou?
Faltou?
Contas e mais contas,
talões de cheques, balancetes...
Tudo um horror!
Mas porque tudo isso?
Apenas para conservar o palacete.
Ali moram máquinas, objetos cheios de botões.
Aperta aqui, aperta ali e tudo acontece.
Assim é todo dia.
À tarde chegam.
Chegam correndo, o tempo não espera.
-Meu bem, você nem me viu hoje!
-Ver o que? O seu vestido novo,
o seu batom de cor diferente?
Quanto custou, quanto tenho que pagar?
-Que decepção!
Esperava um sorriso seu,
um seu abraço, mas..
.
-A conta estourou, todos vão saber, vão me pixar.
Que vida inútil, que mundo cão!
Se... se tudo fosse diferente.
se tudo fosse como quer a gente, que bom seria.
Uma casinha branca,
de janelas azuis ou vermelhas,
bem no alto da colina cheia de coqueiros...
jardins com cravos, rosas, margaridas
tantas flores, tantas que nem sei mais
quais seriam seus adornos.
Em vez de apitos, pássaros cantando nos arvoredos
Ao lado, um lago cheio de patos se divertindo
sem se preocuparem com freadas bruscas,
ou o barulho que aqui nos põem sem idéias,
quase loucos ou totalmente loucos.
Seria belo, seria lindo!
Imagino-me ali.
...Amanheceu!
As estrelas fugiram,
mas deixaram o sol nascendo
para ficar nos seus lugares.
Ali existe céu,
sim existe céu, lua, estrelas
e tudo o que aqui não há.
A noite chega e,
com ela ele também.
A lua já apontou e dá o seu clarão
naquele mundo maravilhoso.
-Meu bem, você nem me viu hoje!
-É mesmo amor,
o dia hoje foi puxado,
mas não me esqueci de você.
Estou morto de saudades.
Pegue seu violão e cante para mim
aquela nossa canção.
Como você está linda,
como brilha o seu olhar!
E assim seria a vida, e que vida!
Sem impotência, sem desajuste, sem confusão.
Mas... é apenas sonho, fantasia
e nada mais.
Tudo passa e nada volta.
Tudo vai e nada fica.
Só permanece firme, inabalável
essa casinha branca
de janelas azuis ou vermelhas
em uma colina qualquer,
onde a máquina seria apenas um homem
e o robot, simplesmente uma mulher.
Autoria: Maura
Visitas: 2383
|