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Acordes

Data Postagem 26/09/2009, Autoria: AjAraujo - poeta humanista

A minha viola nordestina
tem um cantar triste de asa branca
que dizem bonito ser, um tal Gonzaga.

Canto as minhas angústias e esperanças
nestas minhas longas andanças
Que quase sempre morrem por falta d'água.

Tenho uma garganta
típica de repentista
que de tanto medo virou nortista.

O ronco de meu faminto estômago
é o que dá ritmo
ás minhas músicas e estorvo.

A minha viola modesta
molesta os coronéis de bota e espora.
que cravam em minha língua ferina, ferida.

Era preciso formar um só som
com todas as nordestinas violas deste país
onde ao norte, fica a noite e a morte.

AjAraújo, o poeta humanista, em Outono, 1976

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