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DEVANEIOS (Jô)

Data Postagem 13/06/2009, Autoria: Josias Souza - Jô

Já a noite está na sua metade,
E no silêncio desta madrugada ,
Quando tudo é mais sórdido,
E a calada que a embala
Torna maior a solidão da alma,
Ouço o cantar do grilo no gramado ao lado,
O latir de um cão, que vem sei lá de onde.
É possível também ouvir o tic-tac do relógio
Diminuindo a vida em meu ser.
Desde o calendário hebraico
A ampulheta do Egito antigo.
Datas e épocas marcadas.
Tempo para ser feliz, Natal, dia dos pais, das mães, dos namorados, 1º do ano.
Datas marcadas para tristeza, finados, Corpus Cristh, sexta feira santa.
Há data para refletir, para explodir,
Tudo está determinado
E ai de mim se cortar a regra...
Sociedade discriminatória...As favas!

E o relógio, não tão velho que não marque certo.
Nem tão novo que não possa me dizer que o tempo voa,
E voa conduzindo-me para um futuro tão curto;
Um ano, dois, dez. Quantos ainda olharei e ouvirei o tic-tac que me faz lembrar.
Que temos data para nascer, 00.30 do dia 20 de janeiro de 1964.
Data para morrer...Segrega Deus
Em seu infinito querer e saber.

O espelho? Ah! Nem o espelho consegue ficar imune
Parece mesmo que nada é incólume.
A ferrugem começa a descolorir o aço pelos cantos.
Mas ainda consigo encarar, observar ao fundo, dentro do espelho, a máscara, aliás,
Como têm os demais, que cobre minha outra vida.
Chora quando sorrio, sorri quando choro.
Bonita e penteada, quando em meu interior.
A grande dor me desarruma.
Apenas aqui frente a frente não consigo me enganar
Puxa! Aqui eu choro para mim mesmo,
E consigo observar no canto dos olhos
Alguma ruga apontando-me o peso da idade.
Vejo no espelho uma criança, um jovem,
Um homem.
Quantos sonhos frustrados voaram pelos ares
E se perderam por aí.
O silêncio parece aumentar.
Apenas o barulho, rigorosamente compassado
Do velho relógio na estante
Determina que assim como o amor
É eterno enquanto dura.
Minha eterna humanidade também vai findar.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac....

Josias Souza (Jô)
jovida08@hotmail.com

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