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Amor, imbatível amor (J. Angelis)

Data Postagem 10/09/2009, Autoria: AjAraujo - poeta humanista

O amor é a substância criadora e mantenedora do Universo, constituído por essência divina.

É o tesouro que, quanto mais se divide, mais se multiplica, e se enriquece à medida que se reparte.

Mais se agiganta, na razão que mais se doa. Fixa-se com mais poder, quanto mais se irradia.

Nunca perece, porque não se entibia nem se enfraquece, desde que sua força reside no ato mesmo de doar-se, de tornar-se vida.

Assim como o ar é indispensável para a existência orgânica, o amor é o oxigênio para a alma, sem o qual a mesma se enfraquece e perde o sentido de viver.

É imbatível, porque triunfa sobre todas as vicissitudes e ciladas.

Quando aparente - de caráter sensualista, que busca apenas o prazer imediato - se debilita e se envenena, ou se entorpece, dando lugar à frustração.

Quando real, estruturado e maduro - que espera, estimula, renova - não se satura, é sempre novo e ideal, harmônico, sem altibaixos emocionais.

Une as pessoas, porque reúne almas, identifica-as no prazer geral da
fraternidade, alimenta o corpo e dulcifica o eu profundo.

O prazer legítimo decorre do amor pleno, gerador da felicidade, enquanto o comum é devorador de energias e de formação angustiante.

O amor atravessa diferentes fases: o
infantil, que tem caráter possessivo, o juvenil, que se expressa pela insegurança, o maduro, pacificador,que se entrega sem reservas e faz-se plenificador.

Há um período em que se expressa como compensação, na fase intermediária entre a insegurança e a planificação, quando dá e recebe, procurando liberar-se da consciência
de culpa.

O estado de prazer difere daquele de
plenitude, em razão de o primeiro ser fugaz, enquanto o segundo é permanente, mesmo que sob a injunção de relativas aflições e problemas-desafios que podem e devem ser vencidos.

Somente o amor real consegue distingui-los e os pode unir quando se apresentem esporádicos.

A ambição, a posse, a inquietação geradora de insegurança-ciúme, incerteza, ansiedade afetiva, cobrança de carinhos e atenções - a necessidade de ser amado caracterizam o estágio do amor infantil, obsessivo,dominador, que pensa exclusivamente em si antes que no ser amado.

A confiança,suave-doce e tranqüila, a alegria natural e sem alarde, a
exteriorização do bem que se pode e se deveexecutar, a compaixão dinâmica,a não-posse, não-dependência, não-exigência, são
benesses do amor pleno, pacificador,imorredouro.

Mesmo que se modifiquem os quadros existenciais, que se alterem as manifestações da afetividade do ser amado, o amor permanece libertador, confiante, indestrutível.

Nunca se impõe, porque é espontâneo como a própria vida e irradia-se mimetizando, contagiando de júbilos e de paz.

Expande-se como um perfume que impregna, agradável, suavemente, porque não é agressivo nem embriagador ou apaixonado...

O amor não se apega, não sofre a falta, mas flui sempre, porque vive no íntimo do ser e não das gratificações que o amado oferece.

O amor deve ser ponto de partida de todas as aspirações e a etapa final de todos anelos humanos.

Joanna de Angêlis.

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